Pesquisa busca combater exploração predatória
Segundo o pesquisador Sidney Santos, líder do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, o estudo surgiu da necessidade de enfrentar os impactos causados pelo aumento da demanda e da exploração predatória dessas espécies. O objetivo é utilizar o conhecimento genético para viabilizar formas mais sustentáveis de produção, reduzindo a pressão sobre a natureza.
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Coleta de amostras e leitura do DNA
Para o desenvolvimento do estudo, os cientistas coletaram amostras de mais de 100 peixes. O material genético foi analisado por meio de um sequenciador capaz de identificar a ordem dos nucleotídeos — Adenina, Timina, Citosina e Guanina — que armazenam informações sobre características físicas, saúde e ancestralidade de cada espécie.
Genoma permite rastreabilidade genética
O conhecimento do genoma também possibilita identificar a origem exata dos peixes comercializados. De acordo com Igor Hamoy, diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, essa rastreabilidade genética pode indicar, por exemplo, se um pirarucu vendido fora do país tem origem na Amazônia.
Dados públicos e impacto em políticas ambientais
Todas as informações obtidas foram registradas em um banco genético público, permitindo novos estudos e auxiliando políticas públicas ambientais. O conhecimento genético é fundamental para listas de espécies ameaçadas, espécies invasoras e para iniciativas como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado em 2024.
Avanço científico e desafios de financiamento
Sidney Santos destaca que o avanço tecnológico reduziu significativamente o custo do sequenciamento genético, embora o financiamento ainda seja essencial. Segundo ele, apesar de o Brasil já contar com estrutura avançada, como a da UFPA, pesquisas aplicadas seguem dependentes de investimento contínuo.