Vereador e pastor do Pará é cassado por esquema de compra de votos com uso de tecnologia
A decisão reafirma a sentença já proferida em primeira instância pela 74ª Zona Eleitoral do município, em abril de 2025.
- Foto: reprodução
Resumo
O TRE do Pará confirmou a cassação do vereador e pastor Edivaldo Borges Gomes, conhecido como “Irmão Edivaldo”, por compra de votos e abuso de poder econômico. A investigação revelou um esquema com pagamento em dinheiro e o uso de óculos com microcâmera para fiscalizar eleitores dentro da cabine de votação.
Notícias do Pará – O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) decidiu, na última quarta-feira (21), manter a cassação do diploma do vereador de Ourilândia do Norte, no sul do estado, Edivaldo Borges Gomes (MDB), conhecido politicamente como “Irmão Edivaldo”. A Corte confirmou a condenação por compra de votos e abuso de poder econômico durante o processo eleitoral.
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A decisão reafirma a sentença já proferida em primeira instância pela 74ª Zona Eleitoral do município, em abril de 2025. Além da perda do mandato, o parlamentar teve os votos anulados, recebeu multa e foi declarado inelegível por oito anos. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Patrimônio milionário declarado à Justiça Eleitoral
Nas últimas eleições, Irmão Edivaldo declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 8.375.000. Os bens incluem terrenos, imóveis residenciais e veículos, valor considerado elevado para os padrões do município onde exercia o mandato.
Com 54 anos, o político nasceu em Uruaçu, no estado de Goiás, em 12 de setembro de 1970. Ele chegou a Ourilândia do Norte ainda na década de 1980, onde construiu família e consolidou sua trajetória política e religiosa.
Edivaldo Borges Gomes acumulava quatro mandatos como vereador. Ele iniciou a carreira política pelo PDT e, mais recentemente, pelo MDB, partido pelo qual foi eleito e posteriormente cassado no mandato 2025–2028.
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Paralelamente à vida pública, também atuava no meio religioso, ocupando o cargo de primeiro vice-pastor da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, o que ajudou a fortalecer sua base eleitoral no município.
Investigação aponta esquema estruturado de compra de votos
Segundo as investigações, o esquema de compra de votos funcionava de forma organizada e utilizava dinheiro em espécie para evitar rastreamento financeiro. Cabos eleitorais recebiam R$ 100 por cada eleitor indicado, enquanto os eleitores que aceitavam participar recebiam R$ 200 em troca do voto.
O Ministério Público Eleitoral apontou que o objetivo era garantir não apenas o voto, mas também a comprovação de que o eleitor cumpriu o acordo.
Óculos com microcâmera violaram sigilo do voto
Um dos pontos mais graves do processo foi o uso de tecnologia para monitorar os eleitores. Uma adolescente foi flagrada votando com óculos equipados com microcâmera, capazes de gravar o interior da cabine de votação, o que viola diretamente o sigilo do voto.
O caso veio à tona após uma mesária desconfiar do uso de óculos escuros durante a votação. Ao pedir a retirada do acessório, a microcâmera foi identificada. Com a jovem, também foi encontrado um santinho com o código “yx33”, usado para controlar os eleitores já pagos.
As imagens gravadas foram consideradas provas decisivas para a confirmação da fraude eleitoral.
O processo aponta ainda que os três filhos do vereador — Deibson, Débora e Dhyeimison — também foram condenados por envolvimento em práticas de compra de votos. A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão.
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