Dretor confirma que Banco Central tinha ciência de fraude envolvendo Banco Master e BRB
Aquino confirmou que o Banco Central esteve ciente das movimentações e que os relatórios passaram a ser enviados após as intervenções BC.
- Foto: Agência Senado
Resumo
Depoimento à Polícia Federal revela que o Banco Central tinha conhecimento, desde março de 2025, de que as carteiras vendidas pelo Banco Master ao BRB apresentavam graves problemas. A informação veio do próprio diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, e reforça questionamentos sobre a atuação do órgão antes da liquidação do banco.
Notícias do Brasil – O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a autoridade monetária já tinha ciência, desde março de 2025, de que as chamadas carteiras da Tirreno, vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, eram consideradas problemáticas. A declaração ocorreu no âmbito das investigações que culminaram na liquidação do Banco Master, em novembro do mesmo ano.
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O conteúdo do depoimento foi obtido com exclusividade e integra o inquérito da Operação Compliance Zero, que apura uma suposta fraude envolvendo a negociação dessas carteiras.
BC fez questionamentos ainda em março
Segundo Ailton de Aquino, o Banco Central formalizou questionamentos às instituições envolvidas já em março de 2025, demonstrando preocupação com a natureza dos ativos negociados. A partir desses alertas, o BRB passou a reportar de forma mais detalhada as carteiras adquiridas.
De acordo com o diretor, foi justamente após essas cobranças que o acompanhamento do caso se intensificou por parte da autarquia.
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Durante o depoimento, a delegada responsável pelo caso questionou se o BC havia acompanhado todas as negociações entre o Banco Master e o BRB, conforme alegado por Daniel Vorcaro, controlador do Master, e pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Aquino confirmou que o Banco Central esteve ciente das movimentações e que os relatórios passaram a ser enviados após as intervenções do órgão regulador.
Substituição de ativos após constatação de irregularidades
O diretor também confirmou que o BC acompanhou o processo de substituição de ativos, iniciado quando o BRB identificou que parte da carteira adquirida não existia de fato.
Segundo ele, em 18 de junho de 2025, o BRB informou oficialmente que iniciaria diligências para internalizar ativos do balanço do Banco Master. Já em 8 de julho de 2025, um novo ofício detalhou a incorporação de outros ativos, como operações de crédito consignado, cartões benefício, CRIs, fundos imobiliários, títulos no exterior, ações e cotas, como forma de compensação.
Apesar do conhecimento prévio e do acompanhamento das tratativas, o Banco Master só foi liquidado oito meses depois, em novembro de 2025, após o avanço das investigações da Polícia Federal. O intervalo de tempo entre os alertas iniciais e a intervenção definitiva tem sido alvo de críticas e questionamentos sobre a atuação do Banco Central no caso.
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