Câmara dos deputados segura novas CPIs e empurra investigação do Banco Master para fora da Casa
Pedido para apurar fraudes bilionárias no Banco Master tem apoio mínimo, mas esbarra na fila controlada pela presidência da Câmara e perde espaço para alternativas fora da Casa.
- Foto: Agência Câmara
Resumo
A Câmara dos Deputados trava a instalação de novas CPIs e mantém engavetado o pedido para investigar fraudes no Banco Master. Mesmo com assinaturas suficientes, o caso é empurrado para outras frentes, como CPMI, Senado e comissões paralelas.
Notícias do Brasil – A Câmara dos Deputados se tornou, na prática, um gargalo para a abertura de novas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Mesmo com o número mínimo de assinaturas, o pedido para investigar as fraudes atribuídas ao Banco Master permanece parado, sem previsão de avanço. Diante do bloqueio interno, parlamentares passaram a empurrar o caso para outras frentes no Congresso Nacional.
Atualmente, 15 requerimentos de CPI aguardam decisão do presidente da Casa, Hugo Motta. Pelo regimento, cabe exclusivamente à presidência definir quais comissões serão instaladas, o que, segundo deputados, tem travado qualquer nova investigação sensível — incluindo a que envolve o Banco Master.
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CPI tem assinaturas, mas não anda
Deputados favoráveis à investigação afirmam que o requisito regimental já foi cumprido. O deputado Rodrigo Rollemberg confirmou que o requerimento alcançou ao menos 171 assinaturas, número mínimo exigido. Paralelamente, o deputado Marcos Pollon atua para ampliar o apoio político ao pedido.
Apesar disso, a proposta segue fora da pauta. Parlamentares admitem que, sem sinal verde da presidência, o pedido pode ficar indefinidamente represado. Nos bastidores, a avaliação é de que a Câmara evita abrir novas CPIs para não ampliar tensões políticas e institucionais.
Câmara concentra decisões e paralisa investigações
A fila de CPIs inclui temas como descontos indevidos em aposentadorias do INSS, supostas irregularidades em planos de saúde e conflitos ligados à demarcação de terras indígenas. A presidência da Câmara tem priorizado o controle dessa pauta, o que, na prática, impede a instalação de novas comissões.
Deputados avaliam que o modelo atual concentra poder e transforma a abertura de CPIs em decisão política, não técnica. O resultado é um Congresso que investiga menos e empurra casos complexos para outras instâncias.
Caso Banco Master ganha peso fora da Câmara
O Banco Master é investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude bilionária. Em novembro do ano passado, o Banco Central decretou a liquidação da instituição após identificar indícios de irregularidades graves.
O episódio ganhou repercussão política por envolver o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco. Relatos sobre sua proximidade com parlamentares e menções a relações com integrantes do Supremo Tribunal Federal ampliaram a pressão por apuração no Legislativo — pressão que, até agora, não se traduziu em ação efetiva na Câmara.
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CPMI vira alternativa diante do bloqueio
Com a CPI travada na Câmara, parlamentares passaram a defender a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), formada por deputados e senadores. Para isso, o requerimento precisa ser lido em sessão do Congresso Nacional pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O deputado Carlos Jordy afirma já ter reunido o número necessário de assinaturas para protocolar o pedido. Hoje, apenas a CPMI do INSS está em funcionamento, o que abre espaço regimental para uma nova comissão mista.
Senado assume protagonismo
Enquanto a Câmara mantém o freio puxado, o Senado avançou. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Renan Calheiros, criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master.
A iniciativa prevê ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, e o controlador do banco.
Além disso, senadores da oposição articulam levar o caso à CPI do Crime Organizado, já instalada. Requerimentos apresentados pedem a convocação de familiares do ministro do STF Dias Toffoli, ampliando o alcance político do episódio.
Câmara fica à margem do próprio escândalo
Com a presidência segurando novas CPIs, a Câmara corre o risco de ficar à margem de um dos maiores escândalos financeiros recentes. A investigação do Banco Master avança no Judiciário e no Senado, enquanto a Casa responsável por fiscalizar o Executivo segue paralisada.
Nos bastidores, deputados resumem o cenário de forma direta: a Câmara não falta com assinaturas, falta com decisão.
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