Conflito envolvendo advogado provoca embate público entre OAB-AM e Polícia Civil
Entre os pontos destacados pela polícia estão a alegação de que o advogado teria se exaltado após a recusa de materiais nos autos.
- Foto: reprodução
Resumo
Um episódio ocorrido na Delegacia da Mulher Norte/Leste, em Manaus, evoluiu para um confronto institucional entre a OAB Amazonas e a Polícia Civil. As partes trocaram notas públicas, anunciaram medidas administrativas e levaram o caso a órgãos de controle, enquanto o advogado envolvido divulgou um pedido de desculpas após os fatos.
Notícias de Manaus – O ambiente jurídico e policial do Amazonas entrou em clima de tensão após um episódio envolvendo o advogado Robert Lincoln da Costa Areias. O que inicialmente foi tratado como um incidente pontual acabou ganhando repercussão institucional, com manifestações públicas da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM).
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Os fatos ocorreram nos dias 29 e 30 de janeiro, na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) Norte/Leste, e passaram a ser analisados também por corregedorias e órgãos de controle.
Versão apresentada pela Polícia Civil
Em nota oficial, a PC-AM afirmou que o advogado é investigado por descumprimento de medida protetiva e repudiou a conduta atribuída a ele dentro da unidade policial. Segundo a instituição, houve prejuízo ao funcionamento da delegacia e ao atendimento de outras mulheres que buscavam acolhimento.
Entre os pontos destacados pela polícia estão a alegação de que o advogado teria se exaltado após a recusa de materiais nos autos, gravado vídeos em voz alta dentro da delegacia e desrespeitado o ambiente sensível da unidade. A PC-AM também informou que o filho do advogado foi autuado por lesão corporal e resistência, após, segundo a versão policial, investir contra um agente.
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A corporação negou qualquer agressão física contra o advogado e afirmou que imagens de câmeras internas contradizem essa acusação.
Reação da OAB-AM e defesa das prerrogativas
A OAB-AM reagiu publicamente por meio de sua Comissão de Prerrogativas, classificando a atuação policial como excessiva e violenta. A entidade prestou solidariedade ao advogado e anunciou que adotaria providências institucionais em relação aos investigadores envolvidos.
Entre as medidas divulgadas pela Ordem estão o acionamento do Ministério Público do Amazonas para apuração de possível abuso de autoridade, denúncia sobre suposto uso de arma de fogo fora dos limites legais e pedidos de afastamento cautelar e exoneração dos policiais junto à Corregedoria do Sistema de Segurança Pública.
A OAB-AM também destacou que o advogado não chegou a ser preso e que sua saída da delegacia ocorreu após a presença de representantes da entidade, com o objetivo de garantir sua integridade.
Retratação do advogado
Na noite de sexta-feira (30), o próprio advogado divulgou um vídeo gravado dentro da delegacia em que fez uma retratação pública. No registro, ele reconheceu que se exaltou nos dois dias em que esteve na unidade policial e afirmou que compareceu ao local sem intimação formal, acompanhado dos filhos, na tentativa de resolver a situação.
Segundo ele, a intenção era apaziguar o conflito, mas o episódio acabou resultando em atritos.
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