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Deputado Silas Câmara apoiou acordo do INSS com entidade acusada de fraude que recebeu R$ 221 milhões

Desde que o acordo passou a produzir efeitos, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS, entre março de 2023 e abril de 2025.

Por Jonas Souza

02/02/2026 às 15:14 - Atualizado em 25/05/2026 às 10:58

Resumo

O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), uma das principais lideranças da bancada evangélica, participou da formalização de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade investigada por suspeita de fraudes em descontos de aposentadorias. Após o acordo, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS e firmou contratos milionários com empresas ligadas a familiares do parlamentar.

Notícias de Política – O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) esteve envolvido na articulação e assinatura de um acordo entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), organização que hoje é alvo de investigações por suspeita de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas.

Desde que o acordo passou a produzir efeitos, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS, entre março de 2023 e abril de 2025, período que antecedeu a deflagração da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Acordo começou no governo Bolsonaro e avançou na gestão Lula

Silas Câmara participou de reuniões com a cúpula do INSS no início de 2021, ainda durante o governo Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. Em maio daquele ano, o deputado compareceu à cerimônia que formalizou um protocolo de intenções para permitir descontos de até 2,5% nos benefícios previdenciários de associados da entidade.

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Após o evento, Silas afirmou que o acordo representaria “um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”.

O acordo foi efetivado em julho de 2022, e os descontos passaram a ser realizados a partir de março de 2023, já sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Crescimento acelerado de associados e dos valores repassados

Em poucos meses, a CBPA registrou um crescimento expressivo no número de beneficiários com descontos em folha. Entre junho e julho de 2023, o total de associados saltou de 35 mil para mais de 220 mil.

Com isso, os valores mensais recebidos pela entidade passaram de cerca de R$ 30 mil para R$ 7,5 milhões, chegando a R$ 9,5 milhões mensais no início de 2025.

Quando a investigação foi deflagrada, a CBPA já contava com 442 mil aposentados e pensionistas com descontos vinculados à entidade.

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CGU aponta ausência de autorização dos beneficiários

Em auditoria realizada em 2024, a CGU entrevistou uma amostra de 32 associados da CBPA. Segundo o órgão de controle, nenhum deles reconheceu ter autorizado os descontos em seus benefícios previdenciários.

Ainda de acordo com a Controladoria, a entidade não conseguiu esclarecer a situação individual de nenhum dos entrevistados.

Contratos com empresas ligadas à família do deputado

A CBPA também entrou no radar da CPI do INSS após documentos revelarem contratos firmados com empresas ligadas a familiares de Silas Câmara. Desde o fim de 2023, essas empresas receberam, juntas, R$ 1,8 milhão da confederação.

O primeiro contrato envolveu a Network Multimídia, que recebeu R$ 30 mil para divulgar o evento “Grito da Pesca”, em agosto de 2023. O evento contou com a presença do deputado, que atuou como uma espécie de porta-voz da entidade.

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Entre julho de 2024 e março de 2025, a CBPA repassou R$ 1 milhão à Network Filmes, empresa ligada à cunhada de Heber Câmara, filho do deputado. Já a Network Multimídia está registrada em nome da sogra de Heber.

Pagamentos a rádio e empresa ligada à campanha

Outro repasse identificado foi de R$ 30 mil à Rádio Morena FM, dirigida à época por Elienai Câmara, outro filho de Silas. Além disso, a CBPA firmou contrato de R$ 800 mil com a Conektah Estratégias Digitais, empresa que já havia prestado serviços à campanha eleitoral do parlamentar em 2022.

O contrato previa a veiculação de programas radiofônicos sobre a entidade no Amazonas.

Defesa nega irregularidades

Procurado, Silas Câmara não se manifestou diretamente. Em ofício enviado à CPI do INSS, a defesa do deputado afirmou que não há indícios de irregularidades e que vínculos familiares, por si só, não caracterizam ilegalidade.

A CBPA também contratou uma das filhas do parlamentar, a advogada Milena Ramos Câmara, para atuar no setor jurídico da entidade.

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Acusações públicas e embate político

A ex-esposa de Silas, a deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos-AC), acusou publicamente o parlamentar de atuar para beneficiar entidades ligadas ao seguro-defeso, pago pelo INSS durante o período de proibição da pesca. Segundo ela, haveria uso indevido de recursos por meio dessas organizações.

Nas redes sociais, Silas confirmou articulações com lideranças da CBPA para barrar mudanças em medidas do governo Lula que transfeririam o cadastro do seguro-defeso para as prefeituras.

CPI do INSS expõe divisões no meio evangélico

O avanço da CPI do INSS também revelou divisões entre lideranças evangélicas, antes alinhadas politicamente. A menção a pastores e igrejas durante as investigações gerou atritos entre nomes como Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), indicando um cenário de fragmentação que pode impactar o cenário eleitoral.

A CPI será retomada nesta semana com o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, outro personagem central nas apurações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.

Outro lado

O portal AM Post procurou o deputado federal Silas Câmara para obter um posicionamento oficial sobre as informações envolvendo o acordo entre o INSS e a CBPA, bem como os contratos firmados com empresas ligadas a familiares do parlamentar. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

*Com informações de O Globo

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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