Ex-presidente do Rioprevidência é preso após aportes bilionários no Banco Master
A prisão ocorre no contexto da Operação Barco de Papel, deflagrada pela PF que investiga irregularidades do Rioprevidência no Banco Master.
- Foto: divulgação
Resumo
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso pela Polícia Federal após investigações apontarem possíveis irregularidades em quase R$ 1 bilhão investidos em títulos de alto risco do Banco Master. As aplicações teriam colocado em risco o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do Estado do Rio de Janeiro.
Notícias do Brasil – O ex-diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) em uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A prisão ocorreu na Via Dutra, na altura do município de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro, após Antunes desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, vindo dos Estados Unidos.
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Antunes deixou o comando do fundo de previdência dos servidores estaduais em janeiro deste ano, depois de se tornar alvo de investigações que apuram suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção.
Investimentos de alto risco sob investigação
Durante a gestão de Deivis Antunes e de outros ex-dirigentes, o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Segundo a Polícia Federal, os títulos adquiridos não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e apresentavam risco elevado, incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.
As investigações se concentram em nove operações realizadas entre 2023 e 2024, que, de acordo com a PF, colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil servidores públicos estaduais.
Alertas ignorados e decisão do Tribunal de Contas
As aplicações no Banco Master já vinham sendo questionadas há mais de um ano. Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos vinculados à instituição financeira, apontando indícios de gestão temerária e possível irresponsabilidade administrativa.
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Apesar da decisão, os aportes continuaram sendo alvo de questionamentos internos e externos.
Operação Barco de Papel
A prisão de Antunes ocorre no contexto da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal para apurar irregularidades nos investimentos do Rioprevidência no Banco Master.
Além do ex-presidente do fundo, também são investigados o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram os cargos após o avanço das apurações.
A PF apura crimes como gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro nacional, desvio de recursos públicos, fraude a investidores, associação criminosa e corrupção passiva.
Viagem ao exterior e cumprimento da prisão
Segundo a investigação, há indícios de que Antunes tinha conhecimento da possibilidade de uma operação policial. Em meados de janeiro, ele teria evitado sua residência no Rio de Janeiro e deixado o país no dia 15 com destino aos Estados Unidos.
À época, o Rioprevidência informou que a viagem correspondia a férias previamente programadas desde novembro de 2025. Como os mandados iniciais previam apenas buscas e apreensões, Antunes não era considerado foragido.
Com o avanço da operação, a prisão foi efetivada nesta terça-feira.
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