Senador pede convocação de esposa de Moraes na CPI do Crime Organizado para explicar contrato com Banco Master
Além da advogada também foram convocados irmãos de Toffoli, Vorcaro e sócios do Master.
- Foto: divulgação
Notícias do Brasil – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou requerimentos para convocar a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis irregularidades ligadas ao Banco Master. O parlamentar também solicitou a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal da advogada.
Segundo o senador, a CPI deve investigar a existência de “possível tráfico de influência e exploração de prestígio perante as instâncias superiores do Poder Judiciário”. O pedido tem como base um contrato firmado pelo escritório de Viviane com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões.
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Suspeita sobre valores do contrato
No requerimento apresentado à comissão, o senador afirma que o valor pago ao escritório levanta suspeitas. De acordo com ele, a cifra seria incompatível com a média praticada no mercado para o tipo de serviço prestado, citado como uma queixa-crime por calúnia.
O parlamentar sustenta que a discrepância nos valores pode indicar a existência de um negócio jurídico simulado. No documento, ele menciona investigações da Operação Carbono Oculto, que apontariam indícios de que o Banco Master teria sido capitalizado por meio de fraudes e recursos oriundos do tráfico de drogas.
Segundo o senador, esses recursos teriam sido operacionalizados por meio da gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust, com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Para ele, há indícios de que os pagamentos feitos ao escritório possam ter origem ilícita, o que, em tese, poderia configurar o crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/98.
Cronologia levanta suspeitas
Outro ponto citado no requerimento diz respeito à criação de uma nova banca de advocacia em Brasília. O senador afirma que a sociedade foi constituída em 22 de setembro de 2025, apenas dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro do mesmo ano.
Para o parlamentar, a proximidade entre os eventos reforça a suspeita de possíveis manobras de estratificação patrimonial. O documento também destaca que os pagamentos ao escritório teriam sido tratados como prioridade pela direção do banco, em detrimento de outros credores.
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Segundo o senador, esse tratamento diferenciado exige esclarecimentos sobre a eventual existência de tráfico de influência e exploração de prestígio junto a autoridades do Judiciário e da administração pública.
Outros depoimentos solicitados
Além da convocação da advogada, o relator da CPI do Crime Organizado também solicitou o depoimento de outras pessoas citadas nas investigações. Entre elas, estão os irmãos do ministro Dias Toffoli, do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e o empresário Mario Degani.
No total, Alessandro Vieira apresentou 14 requerimentos. Entre os quais, as convocações de:
- Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa de Moraes;
- José Carlos Dias Toffoli, irmão de Toffoli;
- José Eugênio Dias Toffoli, empresário e irmão de Toffoli;
- Mario Umberto Degani, empresário;
- Daniel Vorcaro, dono do Banco Master;
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
De acordo com o relator, os pedidos foram baseados em indícios de ligação entre os três e a antiga gestora Reag Trust, por meio de participações em um resort localizado na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná.
Próximos passos da CPI
Os requerimentos ainda dependem de análise e votação no colegiado. Caso sejam aprovados, as convocações e as quebras de sigilo poderão avançar nas investigações conduzidas pela comissão.
A CPI busca apurar suspeitas de irregularidades financeiras, possíveis fraudes e eventuais conexões entre instituições privadas e agentes públicos. O andamento dos trabalhos deverá definir se os pedidos apresentados pelo senador serão acolhidos e quais serão os próximos alvos da investigação.
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