Deputada propõe título de cidadão do Amazonas a Nikolas Ferreira por sua “relevância política”
Na justificativa a deputada cita uma palestra do deputado no Amazonas no ano de 2024.
- Foto: Reprodução/Redes Sociais
Resumo
Uma proposta apresentada na Assembleia Legislativa do Amazonas quer conceder o título de cidadão amazonense ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mesmo sem atuação direta no estado. A iniciativa ocorre em meio a outras homenagens a nomes da família Bolsonaro e gera debate sobre critérios e motivações políticas.
Notícias de Política – Mesmo sem histórico de atuação direta em pautas estruturais do Amazonas, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pode receber, nos próximos meses, o título de cidadão do estado. A proposta foi apresentada pela deputada estadual Débora Menezes (PL) e protocolada no sistema da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
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A iniciativa foi registrada um dia após o deputado Delegado Péricles (PL) apresentar projeto semelhante para conceder a mesma honraria ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e apontado como pré-candidato à Presidência da República.
Justificativa destaca protagonismo político nacional
Na justificativa do projeto, Débora Menezes afirma que Nikolas Ferreira se consolidou como uma das principais lideranças da nova direita brasileira. Segundo o texto, o parlamentar mineiro se destaca pela defesa de pautas como valores conservadores, liberdade individual, responsabilidade fiscal, segurança jurídica e princípios constitucionais.
A deputada também argumenta que a atuação de Nikolas no Congresso Nacional teria repercussão no Amazonas, citando uma visita realizada em 2024 ao Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, onde ele participou de uma palestra voltada à mobilização política de jovens cristãos.
Para Débora Menezes, esses fatores justificam a concessão da honraria. “Sua relevância política e influência no cenário nacional fortalecem o debate democrático e representativo no Amazonas”, sustenta a parlamentar.
Confira Título de Cidadão Nikolas Ferreira
Homenagens em série a aliados do bolsonarismo
Antes da proposta voltada a Nikolas Ferreira, o deputado Delegado Péricles protocolou um projeto para conceder o título de cidadão do Amazonas ao senador Flávio Bolsonaro. Na justificativa, Péricles alegou que o parlamentar fluminense possui alinhamento com valores defendidos por parte da população amazonense.
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A proposta, no entanto, gerou críticas devido ao histórico de posicionamentos de Flávio Bolsonaro contrários à Zona Franca de Manaus (ZFM), especialmente durante os debates da reforma tributária, tema considerado estratégico para a economia do estado.
Relação com a Zona Franca de Manaus e a reforma tributária
Nikolas Ferreira, por sua vez, nunca teve atuação direta em defesa da Zona Franca de Manaus. Durante a campanha do deputado Capitão Alberto Neto (PL) à Prefeitura de Manaus, em 2024, o parlamentar mineiro afirmou que considera o tema complexo.
Apesar disso, Nikolas se posicionou contra a reforma tributária em tramitação no Congresso e manteve esse posicionamento durante a votação da regulamentação. O texto final preservou os diferenciais que sustentam o Polo Industrial de Manaus (PIM), o que é citado por aliados como um reflexo indireto de sua atuação.
Histórico polêmico e forte presença nas redes sociais
Com grande alcance nas redes sociais, Nikolas Ferreira construiu uma trajetória marcada por episódios controversos desde os tempos em que era vereador em Belo Horizonte. Durante a pandemia de Covid-19, ele foi impedido de acessar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, por não apresentar comprovante de vacinação.
Na ocasião, o deputado declarou não ser contrário às vacinas, mas crítico ao que chamou de “medidas irracionais e segregacionistas”, posicionando-se contra o passaporte sanitário.
Acusações de desinformação e repercussão institucional
Em 2025, Nikolas Ferreira foi acusado de disseminar desinformação ao divulgar um vídeo afirmando que o governo federal planejava tributar todas as transações realizadas por meio do sistema de pagamentos digitais. A declaração se referia a uma portaria da Receita Federal que ampliava a fiscalização sobre fintechs, exigindo o envio de informações sobre transações acima de R$ 5 mil.
A repercussão negativa levou à revogação da medida. Meses depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema envolvendo a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e fintechs usadas para lavagem de dinheiro.
À época, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que as fake news sobre a portaria prejudicaram o combate ao crime organizado. Segundo ele, a desinformação favoreceu a movimentação de mais de R$ 52 bilhões em quatro anos por meio dessas instituições financeiras.
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