Decisões das Justiças do Pará e do Amazonas impõem censura ao jornalista paraense Adriano Wilkson
Ordens da Justiça do Pará e do Amazonas proibiram novas publicações e impuseram sigilo em casos ligados a denúncias sobre gestão pública.
- Foto: Reprodução
Resumo
Decisões judiciais no Pará e no Amazonas determinaram a retirada de reportagens do jornalista Adriano Wilkson e proibiram novas publicações sobre autoridades e contratos públicos, reacendendo o debate sobre censura e liberdade de imprensa.
Notícias do Pará – Decisões judiciais, proferidas pelos tribunais do Pará e do Amazonas, determinaram a retirada de reportagens do jornalista investigativo paraense Adriano Wilkson das redes sociais e proibiram a publicação de novos conteúdos sobre temas relacionados à Prefeitura de Belém e a contratos públicos. As medidas foram tomadas após ações movidas pelo prefeito da capital paraense, Igor Normando, e por uma empresa citada nas denúncias. Os processos tramitam sob segredo de Justiça e as ordens incluem censura prévia, o que reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa e o uso do Judiciário para restringir reportagens de interesse público.
Reportagens motivaram ações judiciais
Os conteúdos questionados tratavam de dois temas principais: a Reforma Administrativa Municipal da Prefeitura de Belém, conhecida como “pacote de maldades”, e suspeitas de contratos superfaturados firmados com a empresa BRA Produtora, que pertence ao empresário amazonense Cyro Batará Anunciação.
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Segundo o jornalista, as decisões foram proferidas em caráter liminar e resultaram na remoção de vídeos publicados no Instagram e no TikTok. Além disso, as ordens judiciais determinaram que ele se abstenha de produzir novas reportagens sobre os assuntos abordados nas ações.
Prefeito e empresa alegaram danos à imagem
De acordo com Adriano Wilkson, o prefeito de Belém entrou com ação alegando prejuízo à própria imagem após uma reportagem recente. O caso corre em segredo de Justiça, o que, segundo ele, dificulta a compreensão dos motivos para a restrição.
“A decisão liminar do Tribunal de Justiça do Pará tirou o vídeo do ar e me impede de fazer novas reportagens sobre o prefeito se eu relacioná-lo a uma lista de práticas”, afirmou o jornalista.
O conteúdo removido abordava, entre outros pontos, a situação de servidores municipais em greve no início do ano.
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Processo da empresa
Em outro processo, a empresa BRA Produção e Aluguel de Equipamentos Ltda. solicitou a retirada de três vídeos que mencionavam contratos firmados com a Secretaria de Educação do Pará. A empresa alegou dano à imagem e obteve decisão favorável.
A juíza do Amazonas Lídia de Abreu Carvalho concedeu no ano passado uma liminar a favor da empresa BRA Produção e Aluguel de Equipamentos Ltda. e determinou:
Retirada de postagens no Instagram e no TikTok que falavam sobre um contrato de quase R$ 16,9 milhões com a Secretaria de Educação do Pará.
O prazo para remoção do conteúdo é de 24 horas após a intimação das plataformas (Facebook/Instagram e TikTok).
O responsável pelas publicações, Adriano Wilkson, fica proibido de fazer novas postagens sobre o caso até o fim do processo.
Se descumprir a ordem, haverá multa de R$ 1 mil por dia, limitada a 10 dias.
Conteúdos removidos e proibição de novas reportagens
As decisões determinaram a retirada de vídeos com títulos como “Igor e mídia Barbalho criam fantasia sobre salário dos professores”, “A denúncia de uma professora do Pará”, “POV: você alugou o fone mais caro do mundo” e “R$ 16 milhões num estúdio de aula online”.
Além da exclusão dos conteúdos, as ordens judiciais impuseram a proibição de novas publicações sobre os temas, o que o jornalista classifica como censura prévia.
Ele afirma ter recebido duas intimações em curto intervalo de tempo, relacionadas a processos movidos por um agente político e por uma empresa com contrato público.
Defesa prepara recursos
O jornalista informou que está sendo assessorado pelo advogado André Matheus e pretende recorrer das decisões em tribunais superiores. A estratégia é tentar reverter as ordens judiciais e restabelecer o direito de publicar reportagens sobre os temas investigados.
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Além desses processos, Wilkson também responde a uma ação movida pelo ex-secretário de Educação do Pará, Rossieli Soares, que teria assinado um dos contratos citados nas reportagens. Nesse caso, ainda não houve sentença.
Debate sobre liberdade de imprensa
As decisões judiciais geraram críticas e reacenderam o debate sobre liberdade de imprensa, principalmente por envolverem a retirada de conteúdos jornalísticos e a decretação de segredo de Justiça em temas considerados de interesse público.
O portal AM POST manifesta apoio ao jornalista e classificou as medidas como censura prévia e assédio judicial contra o exercício da atividade jornalística.
O caso deve ter novos desdobramentos com a apresentação de recursos e eventual análise em instâncias superiores.
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