PF aponta série de encontros entre Toffoli e ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Durante discussão interna no STF, o ministro André Mendonça teria minimizado a proximidade entre os dois.
- Foto: STF
Resumo
Relatório da Polícia Federal enviado ao STF aponta mais de dez encontros presenciais entre o ministro Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As informações levaram o magistrado a deixar a relatoria do caso e aumentaram a pressão interna na Corte.
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Notícias do Brasil – O relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) descreve mais de dez encontros presenciais entre o ministro Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo a investigação, as reuniões ocorreram entre 2023 e 2024 e indicariam uma relação próxima entre os dois.
O conteúdo do documento motivou Toffoli a se declarar impedido e deixar a relatoria do caso. A decisão foi tomada após o material chegar ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Mensagens e encontros sob análise
De acordo com os investigadores, as reuniões aconteceram principalmente em eventos sociais, jantares e festas em Brasília. Mensagens interceptadas mostram ainda que o ministro teria convidado Vorcaro para sua festa de aniversário por WhatsApp.
Durante discussão interna no STF, o ministro André Mendonça teria minimizado a proximidade entre os dois, afirmando que eles mantiveram apenas uma conversa breve. No entanto, a PF sustenta que há indícios de convivência frequente.
Transferências financeiras levantam suspeitas
Outro ponto investigado envolve repasses de cerca de R$ 35 milhões do fundo Arleen, ligado a Vorcaro, para a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio com familiares.
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O que chamou a atenção dos investigadores foi o intervalo entre as operações. A venda de parte de um resort pela Maridt ao fundo ocorreu em setembro de 2021, mas pagamentos mencionados em mensagens teriam sido feitos apenas entre 2024 e 2025.
A PF apura se existe relação entre os valores transferidos e a atuação do ministro no STF.
Clima de tensão no Supremo
O vazamento de trechos do relatório e de discussões internas gerou desconforto entre integrantes da Corte. Há suspeitas entre ministros de que reuniões reservadas possam ter sido gravadas antes da redistribuição do processo.
Em nota, Toffoli negou manter amizade íntima com Vorcaro e afirmou desconhecer o gestor do fundo Arleen. O ministro também declarou que nunca recebeu valores do empresário ou de seu cunhado, Fabiano Zettel, e sustenta não haver base jurídica para questionar sua atuação.
Próximos passos da investigação
Com a redistribuição do caso para o gabinete de Mendonça, órgãos de controle e parlamentares acompanham o avanço das diligências sobre os fluxos financeiros.
A Polícia Federal segue rastreando as contas da empresa Maridt para verificar a origem e o destino dos R$ 35 milhões. A apuração também busca avaliar se os pagamentos são compatíveis com o mercado imobiliário e com os contratos firmados.
Enquanto o STF tenta preservar a unidade institucional, o caso permanece sob forte pressão pública e política.
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