“Até agora, nenhum político com foro privilegiado está na investigação”, diz delegado sobre Operação Erga Omnes em Manaus
Investigação apura núcleo ligado ao crime organizado, mas não inclui autoridades com foro privilegiado até agora.
- (Foto: Divulgação)
Resumo
Operação Erga Omnes investiga envolvimento de ex-assessores parlamentares e servidores públicos com núcleo político ligado ao Comando Vermelho no Amazonas.
Notícias policiais – O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que, até o momento, não há políticos com foro privilegiado formalmente incluídos como alvos da Operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20) pela Polícia Civil do Amazonas, com foco declarado no que classifica como núcleo político associado ao Comando Vermelho no estado.
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A investigação apura a atuação de uma organização criminosa envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Segundo a corporação, o grupo teria ramificações dentro da administração pública e operava com movimentações financeiras que ultrapassavam as fronteiras do Amazonas.
Segundo as investigações, a organização criminosa mantinha um “núcleo político” com acesso a estruturas do Executivo, Legislativo e Judiciário no estado. A apuração envolve crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
“Até agora não tem nenhum político com foro privilegiado dentro dessa investigação. Agora nós vamos analisar as provas que foram colhidas e a partir disso vamos avaliar a existência de outros crimes. Se tiver alguma pessoa com foro privilegiado a gente vai ter que seguir com as investigações. Nós não podemos fechar os olhos para as provas temos que seguir em frente“, disse o delegado.
Delegado cita ligação direta com gabinetes
Durante a coletiva, o delegado foi direto ao mencionar a presença de pessoas ligadas ao meio político entre os investigados.
“Entre as pessoas investigadas temos ex-assessores parlamentares de vários vereadores de Manaus e pessoas vinculadas ao poder judiciário, pessoas com cargos que eram chave e infelizmente estavam em contato com claro auxílio ao crime organizado”, completou.
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A fala reforça a suspeita de que integrantes da organização teriam utilizado conexões políticas para facilitar acesso a informações e garantir trânsito em órgãos públicos.
Líder usava imagem religiosa, diz polícia
A investigação também aponta Allan Kleber Bezerra Lima como líder do grupo. Segundo o delegado, ele utilizava a imagem religiosa como forma de disfarçar suas atividades criminosas.
“O líder [da organização criminosa] se chama Allan Kleber ele se disfarçava como uma espécie de evangélico. Ele frequentava uma igreja evangélica no bairro Zumbi, usava roupas da igreja evangélica. Em uma ocorrência anterior ele escondeu drogas dentro dessa igreja. Percebemos que esse grupo usava igrejas evangélicas para se esconder da polícia como uma espécie de camuflagem social”, explicou.
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Conversas indicariam influência em órgãos públicos
Outro ponto destacado pela Polícia Civil foi o conteúdo extraído de aparelhos celulares apreendidos.
“Identificamos a participação de servidores públicos de várias esferas, inclusive municipal e até do Tribunal de Justiça, que favoreciam o tráfico de drogas aqui em Manaus. Essa organização criminosa usava esse agentes públicos para ter transito em órgãos. Isso ficou muito claro quando nós apreendemos um aparelho celular em que o Allan falava abertamente que tinha pessoas em todos os órgãos, todas as esferas e que não tinha medo de ser preso porque ele pagava todo mundo. Ele se vangloriava para os demais membros da organização criminosa”, declarou.
A Operação Erga Omnes segue em andamento, com análise de provas e possibilidade de novas fases.
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