Defensoria pede que Globo, CNN, Record e SBT paguem indenização milionária por danos morais a mãe que teve filhos mortos pelo ex-marido
Defensoria Pública aponta que publicações de diversos veículos teriam alimentado ataques virtuais contra Sarah Araújo.
- Foto: reprodução
Resumo
A Defensoria Pública de Goiás ajuizou ação civil pública contra emissoras e portais de notícias por suposta exposição indevida de Sarah Araújo após a morte de seus dois filhos em Itumbiara. O órgão pede R$ 1 milhão por danos morais coletivos e acusa os veículos de estimularem linchamento virtual.
A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) ingressou com ação civil pública contra veículos de comunicação nacionais e regionais após a repercussão da morte de duas crianças em Itumbiara, no sul do estado. O órgão pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos à mãe das vítimas, Sarah Araújo.
Segundo a Defensoria, a divulgação de imagens de caráter íntimo e pessoal da mãe teria contribuído para ataques virtuais e hostilizações públicas, configurando revitimização em meio ao luto.
Entre os veículos citados na ação estão Globo, CNN Brasil, Record, SBT, além de portais e emissoras regionais.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Leia mais: Mãe de meninos mortos pelo pai em Itumbiara rompe o silêncio após sepultamento
Relembre o caso investigado pela Polícia Civil
A tragédia ocorreu na madrugada de 12 de fevereiro. De acordo com a Polícia Civil de Goiás, Thales Machado, ex-marido de Sarah, teria matado os dois filhos do casal — Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8 — e, em seguida, cometido suicídio.
O caso é investigado como duplo homicídio seguido de suicídio. Até o momento, a polícia informou que não há indícios de participação de terceiros.
A comoção provocada pelo crime rapidamente ganhou repercussão nacional, ampliando o alcance da cobertura jornalística.
Divulgação de vídeo e alegação de linchamento virtual
De acordo com a ação da Defensoria, Thales Machado teria contratado um detetive para filmar Sarah em momento íntimo. Esse material, segundo o processo, foi posteriormente divulgado por veículos de comunicação.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
A DPE-GO sustenta que a exposição das imagens deslocou o foco da brutalidade do crime para a vida pessoal da mãe das vítimas, gerando ataques virtuais e julgamentos públicos.
A instituição afirma que comentários nas redes sociais passaram a questionar a conduta moral de Sarah, sugerindo traição conjugal. Contudo, conforme a investigação, ela estava solteira na época dos fatos.
Segundo o processo, a situação se agravou a ponto de Sarah precisar de escolta policial durante o enterro dos filhos, devido à hostilidade enfrentada.
A ação foi proposta pelo Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem), vinculado à Defensoria.
O que a Defensoria pede à Justiça
Além da indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, a Defensoria solicita:
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Exclusão imediata de reportagens e conteúdos considerados ofensivos no prazo de 24 horas
Retratação pública por parte dos veículos
Multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) analisou o pedido liminar para retirada urgente do conteúdo, mas negou a medida sob o argumento de que o caso apresenta complexidade jurídica e exige análise aprofundada.
Com isso, o processo seguirá seu trâmite regular.
Posicionamento dos veículos citados
Até o momento:
Record e SBT não se manifestaram publicamente.
A CNN Brasil informou que não recebeu notificação oficial e negou ter publicado o vídeo mencionado.
A Globo declarou que não foi formalmente comunicada sobre o processo.
Outros veículos regionais também foram incluídos na ação, como Diário da Manhã, G1, Mais Goiás Notícias, Metrópoles, Rádio e Televisão Record S.A., Record TV Goiás, Televisão Anhanguera S/A, TV Serra Dourada e Jornal Opção.
Debate sobre liberdade de imprensa e responsabilidade
O caso levanta debate jurídico sobre os limites da liberdade de imprensa e a responsabilidade na cobertura de crimes de grande repercussão.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Especialistas apontam que, embora o interesse público justifique a divulgação de fatos relevantes, a exposição de imagens íntimas ou de cunho pessoal pode configurar violação de direitos fundamentais, especialmente em contextos de extrema vulnerabilidade.
A Defensoria argumenta que houve revitimização, conceito utilizado quando a vítima de uma tragédia sofre novo sofrimento por exposição indevida ou julgamento público.
Impacto institucional e político
Sarah Araújo é filha do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, o que ampliou ainda mais a visibilidade do caso.
A ação judicial pode estabelecer precedente relevante sobre cobertura midiática em casos envolvendo violência familiar e proteção da intimidade de vítimas indiretas.
Enquanto a investigação criminal segue sob responsabilidade da Polícia Civil de Goiás, o processo cível deverá aprofundar a discussão sobre responsabilidade editorial, dano moral coletivo e proteção da dignidade humana em ambiente digital.
O desfecho poderá influenciar práticas de cobertura jornalística em casos sensíveis e redefinir parâmetros sobre exposição de conteúdos íntimos na mídia brasileira.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






