Representante do governo Lula, Celso Amorim diz que o Brasil deve se preparar para o pior em meio ao conflito no Oriente Médio
Ao explicar o que considera como “o pior”, o diplomata citou a possibilidade de o confronto se espalhar pela região.
- Foto: Agência Brasil
Resumo
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que o Brasil precisa se preparar para um possível agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo ele, há risco real de expansão das tensões na região.
Notícias do Brasil – O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil deve se preparar para cenários mais graves diante da escalada militar no Oriente Médio. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (2).
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Segundo Amorim, a morte do líder iraniano em meio à ofensiva militar elevou o nível de tensão internacional e pode provocar desdobramentos imprevisíveis.
“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, afirmou.
Risco de expansão do conflito
Ao explicar o que considera como “o pior”, o diplomata citou a possibilidade de o confronto se espalhar pela região.
Amorim destacou que o Irã historicamente mantém relações com grupos armados em diferentes países do Oriente Médio, o que amplia o potencial de escalada.
“O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento”, disse.
Conversa com Lula e agenda com Trump
O assessor informou que ainda deve conversar por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do tema. Segundo ele, os dois ainda não discutiram profundamente os impactos da crise.
Nos bastidores do Planalto, interlocutores avaliam que o conflito pode interferir na agenda internacional do presidente brasileiro, especialmente no encontro previsto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A viagem de Lula a Washington está prevista para ocorrer entre 15 e 17 de março, mas ainda não foi confirmada oficialmente.
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“É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza”, avaliou Amorim.
Posição do governo brasileiro
O governo brasileiro já manifestou solidariedade a países atingidos por ações retaliatórias do Irã e defendeu a interrupção das operações militares na região do Golfo.
Em nota recente, o Ministério das Relações Exteriores classificou a escalada como uma grave ameaça à paz internacional. Diferentemente de comunicado anterior, o texto mais recente não citou diretamente Estados Unidos e Israel.
Como começou a nova escalada
A atual crise se intensificou após uma grande ofensiva aérea conduzida por Estados Unidos e Israel contra alvos militares iranianos. Os dois países alegaram que a ação buscava conter o programa nuclear do Irã e responder a ameaças do regime.
Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio.
Os ataques atingiram o alto comando iraniano e resultaram na morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de outras autoridades militares.
Impactos globais
A escalada militar provocou forte aumento da tensão regional, fechamento do Estreito de Ormuz e centenas de mortes no Irã, além de novos ataques em diferentes países do Oriente Médio.
Analistas avaliam que o cenário pode pressionar os preços do petróleo e gerar efeitos na economia global, caso o conflito se amplie.
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