Prefeito de Macapá renuncia após operação da PF que investiga desvio de recursos públicos
Dr. Furlan deixou o cargo após ser afastado por decisão do STF em investigação sobre fraude em licitação e possíveis irregularidades em obras do Hospital Geral Municipal.

Prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD). FOTO: Reprodução
Resumo:
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), renunciou ao cargo após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos destinados à construção do Hospital Geral Municipal.
Notícias de Política – O prefeito de Macapá (AP), Antonio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), renunciou ao cargo após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos.
A renúncia foi formalizada por meio de um ofício enviado à Câmara Municipal de Macapá na manhã de quinta-feira (5). No documento, o então prefeito comunica oficialmente a decisão de deixar o mandato para o qual havia sido reeleito nas eleições de 2024.
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Carta de renúncia do prefeito de Macapá, Dr. Furlan. FOTO: Reprodução

Carta de renúncia do prefeito de Macapá, Dr. Furlan. FOTO: Reprodução
A saída do cargo ocorre um dia após o prefeito e o vice-prefeito Mario Neto (Podemos) terem sido afastados por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, no âmbito das investigações.
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Investigação apura irregularidades em obra hospitalar
Dr. Furlan é investigado na Operação Paroxismo, que apura um suposto esquema de fraude em licitação relacionado à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos e empresários, com possíveis práticas de direcionamento de licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
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O contrato investigado, firmado pela Secretaria Municipal de Saúde, tem valor aproximado de R$ 70 milhões e foi celebrado com a empresa Santa Rita Engenharia Ltda.
De acordo com os investigadores, a proposta apresentada pela empresa teria sido praticamente idêntica ao orçamento estimado pela própria prefeitura, o que levantou suspeitas de acesso prévio a informações do processo licitatório.

Dr. Furlan renuncia ao cargo de prefeito de Macapá. FOTO: Reprodução
Movimentações financeiras levantaram suspeitas
Relatórios da investigação apontam ainda movimentações financeiras consideradas atípicas após os repasses de recursos públicos à empresa contratada.
Segundo a PF, um dos sócios da empresa realizou 42 saques em espécie que somaram cerca de R$ 7,4 milhões, enquanto outro realizou 17 retiradas que totalizaram aproximadamente R$ 2,4 milhões.
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As operações teriam ocorrido logo após pagamentos realizados pela prefeitura e, de acordo com os investigadores, os valores não retornaram ao sistema bancário nem foram vinculados à execução das obras.
A investigação também identificou indícios de transferências financeiras da empresa para contas ligadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito, além da suspeita de transporte de dinheiro em veículos ligados ao próprio Furlan.
STF determinou afastamento do prefeito
Ao determinar o afastamento do prefeito e do vice, o ministro Flávio Dino afirmou que a permanência dos investigados nos cargos poderia comprometer as investigações.
Segundo o magistrado, a continuidade deles na administração municipal poderia facilitar o acesso a documentos e sistemas que poderiam ser manipulados ou ocultados.
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Ele também apontou risco de repetição de irregularidades caso os investigados permanecessem à frente de processos licitatórios da prefeitura.
Presidente da Câmara assume a prefeitura
Com o afastamento e a posterior renúncia do prefeito, o comando da prefeitura de Macapá passou a ser exercido interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro DaLua (União Brasil).
A mudança na chefia do Executivo municipal ocorreu enquanto as investigações seguem em andamento.
Prefeito cita intenção de disputar governo do estado
No documento enviado à Câmara Municipal, Dr. Furlan afirmou que a renúncia também está relacionada à intenção de disputar o governo do Amapá nas próximas eleições.
Segundo ele, a legislação eleitoral exige que prefeitos deixem o cargo para concorrer ao comando do Executivo estadual.
Apesar disso, o ofício não menciona diretamente a operação da Polícia Federal que resultou no seu afastamento.
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