Defesa de Marcola cita decisão do STF e pede fim de gravação de visitas de advogados em presídio federal
Advogados do líder do PCC querem que conversas no presídio federal ocorram sem monitoramento, após decisão do ministro André Mendonça beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro.

Condenado por tráfico e homicídio, Marcola, que está em presídio federal de Rondônia, era um dos presos que facção pretendia resgatar — Foto: Divulgação
Resumo:
A defesa de Marcola pediu à Justiça que as visitas de advogados ao líder do PCC em presídio federal não sejam gravadas, citando decisão do STF que concedeu o mesmo direito ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Notícias do Brasil – A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), anunciou que pedirá à Justiça Federal que as visitas de seus advogados em presídio federal não sejam gravadas.
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O pedido terá como base uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida pelo ministro André Mendonça, que autorizou que conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seus advogados não fossem monitoradas.
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Segundo a defesa, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao caso de Marcola, como forma de garantir o sigilo profissional e o direito de defesa.
Leia também: STF começa a julgar se mantém prisão do banqueiro Daniel Vorcaro
Pedido será feito à Justiça Federal
O requerimento deve ser apresentado à Justiça Federal de Brasília, responsável por acompanhar o cumprimento da pena de Marcola. O líder do PCC está preso desde 1999 e acumula condenações que somam cerca de 300 anos de prisão.
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Em nota divulgada nesta quinta-feira (12), os advogados afirmaram que a decisão do STF reconhece que o atendimento entre advogado e cliente em presídio federal deve ocorrer sem gravação de áudio ou vídeo.
A defesa sustenta que o monitoramento compromete a inviolabilidade da comunicação entre advogado e cliente, considerada uma prerrogativa fundamental para o exercício da advocacia.
Outros presos também pedem extensão da decisão
Após a decisão do STF no caso de Vorcaro, outros detentos ligados ao PCC também recorreram ao tribunal pedindo a mesma garantia.
Entre eles está Carlenilto Pereira Maltas, acusado de envolvimento nos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, conhecido como Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, em 2018 no Ceará.
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Outro pedido semelhante foi apresentado pela defesa de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada. Os requerimentos foram protocolados no STF e ainda aguardam decisão.
Sistema penitenciário federal prevê monitoramento
No sistema penitenciário federal, considerado de segurança máxima, as conversas entre presos e advogados costumam ocorrer em salas monitoradas por áudio e vídeo, conhecidas como parlatórios.
As visitas precisam de autorização judicial e são realizadas em dias específicos, com o preso separado dos visitantes por um vidro de segurança.
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A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), ligada ao Ministério da Justiça, criticou a decisão do STF que concedeu a exceção ao banqueiro.
Em nota, o órgão afirmou que mudanças nos protocolos podem impactar diretamente o modelo de segurança das penitenciárias federais, que abrigam presos considerados de alta periculosidade e com capacidade de articulação criminosa.
Debate jurídico envolve sigilo profissional
Especialistas apontam que o debate envolve a garantia constitucional do sigilo entre advogado e cliente.
O Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) prevê que advogados têm direito de se comunicar reservadamente com seus clientes. No entanto, autoridades penitenciárias argumentam que o monitoramento pode ser necessário para impedir que líderes de organizações criminosas transmitam ordens a comparsas fora da prisão.
Nos últimos anos, decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do STF têm discutido os limites entre segurança penitenciária e o sigilo profissional nas comunicações entre presos e advogados.
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