Depois da decisão da Corte, Vorcaro substituiu o advogado criminalista Pierpaolo Bottini por José Luís de Oliveira Lima. Nos bastidores do Judiciário, a troca é interpretada como um passo importante rumo à possível formalização de um acordo de delação premiada.
A alteração na equipe de defesa ocorre em um momento sensível do processo e pode indicar uma mudança na postura do banqueiro diante das investigações em andamento.
Troca de advogados envolve questões estratégicas
A saída de Pierpaolo Bottini acontece em meio a fatores éticos e estratégicos que teriam dificultado a continuidade de sua atuação no caso. O advogado possui posicionamentos doutrinários contrários ao uso de delações premiadas como instrumento jurídico.
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Além disso, sua carteira de clientes inclui políticos ligados ao chamado Centrão, que poderiam ser diretamente citados em uma eventual colaboração de Vorcaro com as autoridades.
Outra possível mudança na equipe de defesa envolve o advogado Roberto Podval. A permanência dele no caso é considerada incerta, em razão de sua proximidade com o ministro do STF Dias Toffoli, que também aparece como possível alvo de relatos do banqueiro nas investigações.
Novo advogado tem histórico em casos políticos
Com a troca, a defesa de Vorcaro passa a ser conduzida por José Luís de Oliveira Lima, conhecido por atuar em processos de grande repercussão política e judicial no país.
Entre os casos de destaque em sua trajetória estão a defesa de José Dirceu no contexto do Escândalo do Mensalão, a atuação no processo envolvendo Alberto Youssef durante a Operação Lava Jato e a defesa do Braga Netto em investigações relacionadas à suposta trama golpista.
O histórico do advogado em negociações e processos complexos reforça a percepção de que a nova estratégia da defesa pode envolver tratativas com autoridades.
Conversas preliminares com autoridades
De acordo com interlocutores próximos ao banqueiro, já foram iniciadas sondagens preliminares com a Polícia Federal (PF) e com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O objetivo dessas conversas seria avaliar a disposição dos investigadores para firmar um possível acordo de colaboração premiada.
A mudança de postura de Vorcaro, que anteriormente resistia à ideia de colaborar com as investigações, estaria relacionada à tentativa de proteger familiares que também passaram a ser citados no caso.
Entre eles está seu cunhado, Fabiano Zettel, que já foi preso. As investigações também alcançaram o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como responsável por ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do Banco Master em contas da gestora Reag.