Folha critica decisão de Moraes contra jornalista e fala em risco à liberdade de imprensa
Editorial do jornal aponta que autorizar buscas policiais contra profissional da imprensa pode representar abuso de poder e tentativa de intimidação.

Na determinação o ministro do STF decidiu apreender celulares e notebooks do jornalista. FOTO: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Resumo:
Editorial da Folha de S.Paulo critica decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou buscas contra jornalista no Maranhão. O jornal afirma que a medida representa risco à liberdade de imprensa.
Notícias do Brasil – O jornal Folha de S.Paulo publicou um editorial criticando a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas contra um jornalista do Maranhão.
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No texto, o veículo afirma que a medida representa um possível uso arbitrário de autoridade e pode ameaçar a liberdade de imprensa no país. Para o jornal, ações policiais direcionadas a profissionais da comunicação podem gerar um ambiente de intimidação para quem atua na investigação e divulgação de informações de interesse público.
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Operação teve como alvo jornalista maranhense
A crítica da publicação está relacionada a uma operação da Polícia Federal contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, responsável por um blog de notícias em São Luís, no Maranhão.
A investigação foi conduzida no âmbito do chamado inquérito das fake news, instaurado pelo STF em 2019. Durante a operação, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, incluindo celulares e computadores utilizados pelo jornalista.
Reportagens teriam motivado investigação
De acordo com o editorial, a apuração policial está relacionada a reportagens publicadas no blog em novembro de 2025. Os textos mencionavam um suposto uso, por familiares do ministro Flávio Dino, de um veículo custeado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.
Para a Folha, ainda que o conteúdo da reportagem seja alvo de questionamentos, a resposta judicial adotada não seria adequada.
O jornal argumenta que autoridades que se sintam prejudicadas por publicações jornalísticas possuem instrumentos legais para contestar as informações ou buscar reparação na Justiça, sem a necessidade de medidas policiais.
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Entidades da imprensa também criticaram
O editorial também menciona manifestações de entidades representativas da imprensa que demonstraram preocupação com a operação.
Entre elas estão a Associação Nacional de Jornais, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas, além da Federação Nacional dos Jornalistas e do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão.
Segundo o jornal, essas instituições apontaram que o uso de medidas policiais contra jornalistas pode configurar tentativa de intimidação.
Debate sobre liberdade de imprensa
A publicação afirma ainda que o STF tem desempenhado papel importante no combate a ataques às instituições democráticas nos últimos anos. Contudo, ressalta que isso não impede que decisões da Corte sejam alvo de críticas públicas.
Para o editorial, ministros do tribunal não devem se colocar acima do debate democrático ou de questionamentos da sociedade.
O texto também levanta preocupação com o sigilo do processo e com a falta de critérios claros para diferenciar investigações legítimas de possíveis restrições à atividade jornalística.
Constituição garante livre exercício da comunicação
Ao concluir o editorial, o jornal lembra que a Constituição Federal do Brasil assegura a liberdade de expressão e de comunicação, sem necessidade de autorização prévia.
Segundo a publicação, qualquer ação que possa limitar o trabalho da imprensa deve ser tratada com cautela, para evitar riscos à liberdade de informação em uma sociedade democrática.
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