Repórter ligado a TV de Manaus aparece em vídeo com grupo de jornalistas acusado falsamente de desejar morte de Bolsonaro
Jornalistas que cobriam internação de Bolsonaro são alvo de ameaças após serem acusados, sem provas, de desejar a morte do político.
Resumo
Jornalistas que cobriam a internação de Jair Bolsonaro em Brasília relatam ameaças nas redes sociais após a divulgação de um vídeo que os acusa, sem provas, de desejar a morte do ex-presidente. Profissionais de imprensa registraram boletim de ocorrência e entidades do setor repudiaram os ataques.
Notícias do Brasil – O jornalista Igor Damasceno, analista político da TV A Crítica de Manaus, afirmou que as acusações contra repórteres que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília nessa sexta-feira (13) são falsas e provocaram uma onda de ataques nas redes sociais. “Não existe nenhum áudio ou vídeo disso porque simplesmente isso não aconteceu. Ninguém desejou a morte dele”, disse o profissional, que passou a receber ameaças após a divulgação de um vídeo que sugere, sem comprovação, que jornalistas estariam torcendo pela morte do político.
Vídeo gera acusação contra jornalistas
A polêmica começou quando uma mulher gravou um vídeo em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nas imagens, ela confronta um grupo de jornalistas que aguardava informações sobre o estado de saúde do político.
Durante a gravação, a mulher acusa os profissionais de imprensa de comentarem sobre uma possível morte de Bolsonaro.
“Não adianta se fazer de sonsa não eu acabei de ouvir aqui. É sério isso? Vocês estão conversando isso aqui na frente do Hospital DF Star? É a saúde de um homem independente de lado político”, diz a mulher no vídeo.
Apesar da acusação, nas imagens não há qualquer registro de jornalistas fazendo comentários do tipo mencionado por ela.
Ainda assim, o conteúdo rapidamente se espalhou nas redes sociais e passou a gerar uma onda de críticas e ataques contra os profissionais que estavam no local realizando a cobertura jornalística.
Postagem de deputado ampliou repercussão
A repercussão aumentou após o deputado federal Mario Frias (PL-SP) compartilhar o vídeo nas redes sociais. Na publicação, o parlamentar afirma que jornalistas estariam “desejando a morte” do ex-presidente.
No entanto, o próprio vídeo divulgado não apresenta nenhuma prova dessa afirmação. Ainda assim, a postagem acabou ampliando a circulação da acusação e levou a uma avalanche de comentários ofensivos contra os profissionais de imprensa.
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Repórteres de diferentes veículos passaram a receber centenas de mensagens agressivas nas redes sociais, incluindo ameaças e ofensas pessoais.
Além disso, dados pessoais de alguns profissionais foram expostos na internet, o que elevou o clima de tensão entre os jornalistas envolvidos na cobertura.
Jornalista reage às acusações
Entre os profissionais citados nas acusações está Igor Damasceno, que atua como analista político da TV A Crítica, emissora sediada em Manaus.
Em publicação nas redes sociais, o jornalista negou as acusações e afirmou que a situação foi construída a partir de uma narrativa sem provas.
“Não existe nenhum áudio ou vídeo disso porque simplesmente isso não aconteceu. Ninguém desejou a morte dele. A pessoa disparou uma série de acusações contra a gente sem provas e o deputado fez disso uma verdade mesmo sem comprovação e acabou destruindo a nossa imagem nas redes sociais”, declarou.
Damasceno também criticou a postura do parlamentar ao compartilhar o conteúdo.
“É lamentável que um parlamentar eleito pelo povo utilize essa fake news para se promover politicamente”, afirmou.
Segundo o jornalista, as acusações tiveram impacto direto na vida profissional e pessoal dos repórteres que estavam apenas exercendo a atividade jornalística no local.
Caso foi levado à Polícia Civil
Diante da onda de ameaças e ataques virtuais, alguns jornalistas decidiram registrar ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com os profissionais, prints das mensagens ofensivas recebidas nas redes sociais foram anexados aos registros policiais como forma de comprovar as ameaças.
Entidade de radiodifusão repudia ataques
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também se manifestou sobre o episódio e repudiou os ataques direcionados aos profissionais da imprensa.
Em nota pública, a entidade afirmou que as ameaças e tentativas de intimidação representam um risco à liberdade de imprensa e ao exercício da atividade jornalística.
“Nada justifica tamanha violência contra profissionais da imprensa em pleno exercício da atividade jornalística. A ABERT reafirma a defesa intransigente da liberdade de expressão e do direito do brasileiro à livre informação e pede às autoridades locais uma rigorosa apuração do caso e punição dos agressores”, diz nota.
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