CPI do Crime Organizado barra quebra de sigilo de Paulo Guedes em investigação sobre esquema de fraudes do Banco Master
Comissão aprova novas convocações e rastreamento de beneficiários, enquanto rejeita pedidos que atingiam nomes ligados ao governo Bolsonaro.
- Foto:© Saulo Cruz/Agência Senado
Resumo
CPI do Crime Organizado avança nas investigações sobre fraude bilionária do Banco Master, aprova novas convocações e pedidos de informações, mas rejeita quebra de sigilo de Paulo Guedes.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), uma série de medidas para aprofundar as investigações sobre o suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Entre os principais pontos, está a busca pelos beneficiários finais de fundos de investimento ligados à instituição e à Reag Investimentos, considerados centrais na apuração de movimentações financeiras suspeitas.
Por outro lado, a maioria dos senadores rejeitou pedidos considerados sensíveis, como a quebra de sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes e a convocação do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto.
Comissão quer identificar donos ocultos de recursos
Um dos focos principais da CPI passa a ser a identificação dos chamados “beneficiários finais” dos fundos ligados ao Banco Master. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), destacou que esse é um dos maiores desafios das investigações.
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Segundo ele, estruturas complexas de fundos são frequentemente utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos ilícitos. O requerimento aprovado solicita informações detalhadas a órgãos como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central, Receita Federal e Anbima.
“A utilização de múltiplas camadas de fundos dificulta chegar ao verdadeiro dono do dinheiro, o que pode favorecer práticas de lavagem”, apontou o relator.
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Convocações miram núcleo empresarial do caso
A CPI também aprovou a convocação de pessoas consideradas estratégicas para o avanço das investigações. Entre elas está a empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, apontada como possível beneficiária de um imóvel avaliado em R$ 450 milhões.
Parlamentares suspeitam que a transferência do bem possa estar relacionada a práticas de ocultação de patrimônio.
Outro alvo é a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro, que teve autorizada a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, além da convocação de seus dirigentes e sócios. A empresa teria sido utilizada para transporte de aliados e parceiros em voos particulares.
Uso político do esquema entra em debate
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MG), autora de parte dos requerimentos, afirmou que a Prime Aviation pode ter sido peça-chave em um esquema mais amplo, com conexões políticas.
Segundo ela, a aeronave da empresa teria sido utilizada em ações de campanha eleitoral, evidenciando a proximidade entre o grupo investigado e agentes políticos.
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Também foi aprovada a convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, que denunciou irregularidades em operações de crédito consignado que teriam causado prejuízos a servidores públicos.
Rejeições expõem divisão na comissão
Apesar dos avanços, a CPI mostrou divisão interna ao rejeitar pedidos de quebra de sigilo e convocações de figuras políticas. O requerimento para investigar Paulo Guedes foi derrubado por seis votos a dois.
Também foi rejeitada a convocação de Valdemar da Costa Neto, que havia citado doações relacionadas a pessoas ligadas ao caso.
Parlamentares da oposição argumentaram que os pedidos extrapolavam o escopo da comissão e tinham motivação política.
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Debate político marca sessão
Durante a sessão, houve embate entre governistas e oposição. O senador Marco Rogério (PL-RO) criticou os pedidos, classificando-os como baseados em “pseudo-acusações”.
Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) defendeu a inclusão de aspectos políticos na investigação, afirmando que o esquema teria se desenvolvido sob a gestão econômica anterior.
Ausência de ex-diretor do BC
A CPI também previa ouvir o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, mas ele não compareceu. Uma decisão do ministro do STF André Mendonça tornou sua presença facultativa.
O depoimento era considerado relevante por possíveis ligações do ex-diretor com o núcleo investigado.
Próximos passos da investigação
Com os novos requerimentos aprovados, a CPI deve avançar na coleta de informações financeiras e no rastreamento de recursos ligados ao esquema.
A expectativa é que a identificação dos beneficiários finais dos fundos ajude a esclarecer a estrutura da fraude e a responsabilizar os envolvidos.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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