CMN amplia limite do FAT para inovação via BNDES em 2026
Elevação do teto para 2,5% busca atender demanda de pequenas empresas e estimular a produtividade industrial

Resumo
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a ampliação do limite de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiamentos de inovação pelo BNDES. O percentual subiu de 1,5% para 2,5%, visando atender a alta demanda de micro e pequenas empresas. A medida não gera impacto fiscal e busca reverter a retração na produção de bens de capital.
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Panorama das novas regras de financiamento
- Conselho Monetário Nacional (CMN): Órgão colegiado de cúpula do Sistema Financeiro Nacional, responsável por formular diretrizes da política monetária e de crédito. Sua decisão recente permite que o BNDES acesse uma fatia maior do FAT para projetos de cunho tecnológico, garantindo que a política industrial tenha lastro financeiro robusto para o próximo ciclo econômico.
- Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT): Instituído pela Constituição Federal de 1988, é um fundo contábil-financeiro vinculado ao Ministério do Trabalho. Sua função primordial é custear o Programa do Seguro-Desemprego e o Abono Salarial, além de destinar, obrigatoriamente, pelo menos 40% de seus recursos para programas de desenvolvimento econômico através do BNDES.
- BNDES e a Taxa Referencial (TR): O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social utiliza recursos indexados à TR para oferecer linhas de crédito voltadas à inovação. O aumento do teto para 2,5% do saldo do fundo permite que projetos de alta tecnologia recebam aportes com custos financeiros mais previsíveis e competitivos para o setor produtivo.
- Impacto nas micro e pequenas empresas: O Ministério da Fazenda identificou que este segmento foi o principal motor da demanda por crédito em 2024. A ampliação do limite visa justamente suprir a necessidade dessas empresas, que buscam modernização tecnológica, mas dependem de linhas de fomento específicas para viabilizar seus investimentos.
- Estímulo aos bens de capital: A medida foca na reversão da queda de produtividade e na retração do setor de bens de capital (máquinas e equipamentos). Ao incentivar a difusão tecnológica, o governo espera que a indústria nacional recupere fôlego e aumente sua eficiência produtiva diante dos desafios de competitividade global.
- Ausência de impacto fiscal: Por se tratar de uma realocação de recursos já previstos constitucionalmente dentro do FAT, a decisão não altera as metas de despesas primárias da União. Isso significa que o governo promove o investimento produtivo sem comprometer o equilíbrio das contas públicas ou criar novos gastos orçamentários.
A nova configuração dos limites de financiamento
Conforme apuração original do portal Agência Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) formalizou, nesta quinta-feira (24), uma mudança estratégica na gestão de recursos públicos voltados ao desenvolvimento tecnológico. A autoridade monetária aprovou a elevação do teto de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que podem ser direcionados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento de projetos de inovação em 2026.
Com a nova diretriz, o percentual máximo de recursos do FAT indexados à Taxa Referencial (TR) destinados a essas operações saltou de 1,5% para 2,5% do saldo total do fundo. Esta medida representa a renovação de um limite especial que já havia sido aplicado no ano anterior, mas que perdeu a validade automática em janeiro deste ano. O ajuste busca dar perenidade às linhas de crédito que sustentam a modernização do parque industrial brasileiro.
Justificativa técnica e demanda reprimida no setor
De acordo com informações detalhadas pelo Ministério da Fazenda, a alteração não modifica a natureza da política pública, mas sim a sua escala. A pasta explicou que a ampliação foi motivada por uma “forte demanda pelas linhas de financiamento” observada ao longo de 2024. Um dado relevante apontado pelo governo é a participação expressiva de micro, pequenas e médias empresas, que se tornaram as principais tomadoras desses recursos para inovação.
A Fazenda também esclareceu que parte da verba disponibilizada para 2025 não pôde ser integralmente executada devido ao “curto prazo para contratação”, uma vez que a liberação do crédito adicional ocorreu apenas no segundo semestre daquele ano. Com o novo limite estabelecido antecipadamente para 2026, o governo federal pretende absorver essa demanda que ficou represada, garantindo maior previsibilidade para que as empresas planejem seus investimentos de longo prazo em tecnologia e difusão de novos processos produtivos.
O papel institucional do FAT e a governança do CMN
A decisão do CMN ocorre em um momento de atenção voltada à produção de bens de capital, setor que enfrentou retração recente e é considerado vital para o ganho de produtividade do país. O governo ressalta que o uso dos recursos do FAT constitucional, estabelecido pela Carta Magna de 1988, é uma ferramenta legítima de fomento que não gera impacto fiscal primário, pois utiliza o fluxo financeiro já destinado ao BNDES por lei para financiar o desenvolvimento econômico, além de suas funções de custeio do seguro-desemprego, abono salarial e qualificação profissional.
A reunião que selou o novo limite foi presidida pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, e contou com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. O colegiado reforçou que a medida é essencial para manter o estímulo ao investimento produtivo em um cenário de necessidade de atualização tecnológica constante para as empresas brasileiras.
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