Segundo a agência, o objetivo das medidas é garantir a segurança da população e combater o uso irregular desses medicamentos.
Importação de insumos acende alerta da Anvisa
De acordo com a Anvisa, a quantidade de insumos farmacêuticos importados para manipulação das canetas tem sido incompatível com a demanda do mercado nacional. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos, volume que seria suficiente para a produção de cerca de 25 milhões de doses.
Além disso, em 2026, a agência realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, que resultaram na interdição de oito empresas por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que as medidas não têm como objetivo restringir o mercado ou proibir a manipulação dos medicamentos, mas sim coibir irregularidades e proteger a saúde da população.
Aumento de efeitos adversos preocupa agência
A Anvisa também destacou o crescimento de relatos de eventos adversos associados ao uso das canetas emagrecedoras. Outro ponto de atenção é o uso off label, quando o medicamento é utilizado para finalidades diferentes das aprovadas em bula, como o emagrecimento sem necessidade clínica.
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Em fevereiro deste ano, a agência já havia emitido um alerta sobre risco de pancreatite relacionado ao uso desses medicamentos. Segundo a Anvisa, o avanço do consumo desses produtos representa um desafio regulatório global.
Riscos identificados na manipulação
Entre os principais riscos sanitários apontados pela agência estão problemas de esterilização, falhas no controle de qualidade e uso de insumos sem identificação de origem e composição.
Também foram identificados uso indevido de nomes comerciais, produção sem demanda individualizada e venda de produtos sem registro. A Anvisa reforça que medicamentos injetáveis exigem padrões rigorosos de esterilidade e pureza.
Desde janeiro, a agência já publicou dez ações de proibição envolvendo importação, comércio e uso de produtos irregulares com agonistas de GLP-1.
Plano de ação prevê seis eixos estratégicos
O plano anunciado pela Anvisa inclui seis eixos estratégicos para reforçar o controle sanitário. Entre eles estão o aprimoramento regulatório, com revisão de normas técnicas e da resolução que trata das boas práticas de manipulação em farmácias.
O plano também prevê intensificação da fiscalização em farmácias, clínicas e importadoras, além de monitoramento de eventos adversos por meio do sistema VigiMed.
Outras ações incluem articulação com entidades médicas e agências internacionais, ampliação da oferta de produtos registrados e campanhas de comunicação com a população.
Mais registros podem ampliar oferta de medicamentos
A Anvisa informou que atualmente existem 17 pedidos de registro de canetas emagrecedoras em análise. Esses processos serão priorizados para ampliar a oferta de produtos regularizados.
Segundo a agência, a queda da patente da semaglutida contribuiu para o aumento de solicitações de registro, o que pode ampliar o acesso a produtos com controle sanitário adequado.
A Anvisa também anunciou a criação de um grupo de trabalho para monitorar continuamente a implementação das medidas e avaliar a eficácia das ações adotadas.