Base aliada dividiu votos e ajudou a derrubar veto de Lula à dosimetria
Siglas com participação na Esplanada dos Ministérios votaram majoritariamente pela derrubada, evidenciando tensão entre o governo e o Congresso
- Foto: Bruno Spada/Agência Câmara
Resumo
A derrubada do veto do presidente ao PL da Dosimetria contou com apoio de partidos que integram o governo, evidenciando divisões na base aliada. A votação expressiva no Congresso reforça o cenário de dificuldades políticas enfrentado pelo Planalto.
A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei da Dosimetria revelou fissuras importantes dentro da própria base governista no Congresso Nacional. Partidos que ocupam ministérios votaram, em diferentes graus, a favor da proposta, contribuindo diretamente para a derrota do Executivo.
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A decisão foi tomada com ampla margem: foram 318 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado, consolidando mais um revés político para o Palácio do Planalto.
Levantamento aponta que ao menos sete siglas com participação na Esplanada dos Ministérios apoiaram a derrubada do veto. O movimento incluiu partidos que ainda ocupam cargos no governo e outros que deixaram a estrutura ministerial recentemente, dentro do prazo de desincompatibilização para as eleições.
Entre eles está o Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin. Mesmo aliado histórico do governo, o partido registrou votos favoráveis à derrubada tanto na Câmara quanto no Senado.
PDT e sinais de instabilidade
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), responsável pelo Ministério da Previdência, apresentou divisão interna. Enquanto parte da bancada defendeu a manutenção do veto, outra parcela votou pela derrubada.
A sigla já havia sinalizado momentos de tensão com o governo após mudanças na condução da pasta e episódios envolvendo sua direção nacional, o que contribuiu para o comportamento fragmentado na votação.
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Partidos do chamado Centrão também tiveram protagonismo na derrubada do veto. O União Brasil, mesmo com presença em ministérios, registrou maioria expressiva de votos contra a posição do governo.
A legenda mantém influência relevante na estrutura federal e tem ligação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que teve papel central na condução do processo legislativo.
Outro destaque foi o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que também integrou a base governista e, ainda assim, apresentou divergências na votação.
PP e Republicanos reforçam derrota
Siglas como o Progressistas (PP) e o Republicanos também contribuíram significativamente para a derrubada do veto, com ampla maioria de votos favoráveis à proposta nas duas Casas.
Ambos os partidos chegaram a ocupar ministérios no atual governo, mas já vinham demonstrando distanciamento político ao longo dos últimos meses.
Relação com o Congresso em xeque
O resultado da votação reforça o cenário de desgaste na relação entre o governo federal e o Congresso Nacional. Mesmo com esforços de articulação política, o Planalto não conseguiu manter coesa sua base aliada em uma votação considerada estratégica.
A derrubada do veto ao PL da Dosimetria, além de alterar regras penais, também expõe os desafios do Executivo para garantir apoio consistente no Legislativo em pautas sensíveis.
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