PF diz que Ciro Nogueira ganhou dinheiro, viagens de luxo e outros benefícios para favorecer interesses do Banco Master
Investigação da Polícia Federal indica repasses de até R$ 500 mil mensais e benefícios de luxo em troca de atuação parlamentar.
- Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Resumo
A Polícia Federal aponta indícios de que o senador Ciro Nogueira recebeu pagamentos mensais e vantagens indevidas do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação integra a 5ª fase da Operação Compliance Zero e resultou em medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo restrições ao parlamentar e prisões de investigados.
Notícias do Brasil – A Polícia Federal (PF) afirma ter identificado indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, além de uma série de vantagens, em troca de atuação legislativa favorável a interesses do Banco Master. As informações embasaram a 5ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
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O que diz a PF sobre Ciro Nogueira e a operação
De acordo com a PF, há um conjunto de evidências que indicam uma relação contínua entre o senador e o banqueiro, incluindo transferências financeiras, custeio de viagens internacionais, uso de imóveis de alto padrão, voos privados e despesas pessoais.
Os investigadores sustentam que, em contrapartida, o parlamentar teria atuado diretamente para beneficiar o Banco Master dentro do Congresso Nacional. Um dos principais pontos citados é a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em 2024.
A chamada “Emenda Master” previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante — medida que, segundo a PF, teria impacto direto nos negócios da instituição financeira.
Ainda segundo a investigação, o texto da emenda teria sido elaborado por assessores ligados ao banco e entregue diretamente ao senador para formalização legislativa.
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Benefícios e transações sob suspeita
A PF também aponta outras vantagens econômicas consideradas atípicas. Entre elas, a aquisição de participação societária avaliada em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão na empresa Green Investimentos S.A.
O negócio teria sido formalizado por meio da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. Para os investigadores, a operação levanta suspeitas de favorecimento e possível ocultação de patrimônio.
Relatórios indicam ainda que o próprio Vorcaro teria afirmado a interlocutores que a emenda apresentada por Nogueira “saiu exatamente como mandei”, o que reforça a tese de alinhamento entre interesses privados e atuação pública.
Decisão do STF e medidas cautelares
Ao analisar o material apresentado pela PF, o ministro André Mendonça destacou a existência de elementos como registros bancários, mensagens eletrônicas e dados de viagens que indicariam, em tese, um arranjo estruturado para obtenção de benefícios mútuos.
Leia mais: PF deflagra 5ª fase da “Compliance Zero” e mira senador Ciro Nogueira
Com base nisso, o STF determinou que Ciro Nogueira está proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas do caso.
A decisão também incluiu:
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- Prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema
- Uso de tornozeleira eletrônica para o irmão do senador
- Proibição de saída do país para envolvidos diretamente ligados às transações investigadas
Defesa rebate acusações
A defesa do senador negou qualquer irregularidade e classificou as suspeitas como “ilações”. Em nota, afirmou que Ciro Nogueira sempre atuou dentro da legalidade e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Os advogados também criticaram o uso de mensagens de terceiros como base para medidas investigativas consideradas invasivas, indicando que a legalidade dessas provas deverá ser discutida nas instâncias superiores.
Até o momento, as defesas dos demais investigados citados na operação não foram localizadas pela reportagem.
Contexto político
Ciro Nogueira é presidente nacional do Progressistas (PP) e ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre 2021 e 2022.
A operação amplia a pressão sobre figuras centrais do cenário político nacional e reforça o foco da PF em investigações que envolvem possível interferência de interesses privados na formulação de políticas públicas.
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