“Colônia de férias”: Fantástico expõe rotina de regalias em presídio militar de Manaus com PMs presos por crimes graves
Investigação revelou que policiais militares custodiados no antigo núcleo prisional da PM do Amazonas saíam sem controle.
- Foto: Reprodução
Resumo
Reportagem do Fantástico revelou irregularidades no antigo núcleo prisional da Polícia Militar do Amazonas, em Manaus. PMs presos por crimes graves tinham liberdade para sair da unidade, realizar atividades de lazer e circular pela cidade.
Notícias policiais – Uma investigação exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, revelou um cenário de falta de controle dentro do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus. Segundo o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), policiais militares presos por crimes graves circulavam livremente fora da unidade, realizavam atividades de lazer e, em alguns casos, chegavam a dormir em casa mesmo estando oficialmente custodiados.
As denúncias apontam que o espaço operava sem fiscalização efetiva e apresentava falhas consideradas graves no sistema de custódia. Os detentos conseguiam sair da unidade sem maiores dificuldades, segundo a investigação.
Cerca de 71 policiais militares que estavam presos no local respondendo por crimes como homicídio, tráfico de drogas, estupro e participação em organizações criminosas foram transferidos na última semana para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Estado do Amazonas (UPPM/AM), instalada no prédio que anteriormente funcionava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (CEFEC), em área extramuros do complexo penitenciário estadual, na BR-174.
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Presos frequentavam mercados, jogavam futebol e faziam churrascos
Imagens obtidas durante as investigações mostram uma rotina completamente diferente do esperado para um ambiente prisional. Policiais presos apareciam frequentando espaços públicos, realizando compras em estabelecimentos comerciais e participando de momentos de lazer.
Em um dos casos revelados, um sargento foi filmado deixando o núcleo carregando bolas de futebol para participar de partidas esportivas. Mensagens encontradas no celular do militar reforçariam o clima de informalidade dentro da unidade.
Nas conversas, o próprio policial comparava o período no presídio a uma espécie de descanso ou “colônia de férias”, expressão que passou a ser utilizada por investigadores para descrever o funcionamento do local.
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Além disso, relatos apontam que alguns custodiados organizavam churrascos e encontros dentro da estrutura prisional.
Estrutura improvisada facilitava irregularidades
De acordo com investigadores do Ministério Público, o antigo Núcleo Prisional da PM nunca foi projetado para funcionar como uma unidade prisional de segurança adequada. A estrutura improvisada teria contribuído diretamente para a ausência de fiscalização rigorosa e para as falhas na custódia dos presos.
As investigações também indicam que alguns militares utilizavam o fato de estarem oficialmente presos como álibi para tentar afastar suspeitas sobre crimes cometidos fora da unidade.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de imagens de policiais militares entrando e saindo do núcleo sem qualquer controle aparente.
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— AM POST (@portalampost) May 19, 2026
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Sargento investigado por atentado foi flagrado em veículo de luxo
Entre os episódios mostrados na reportagem está o caso do sargento da Polícia Militar do Amazonas Saimon Macambira Jezini, preso em outubro de 2025 sob suspeita de ser o mandante de um atentado contra o músico Eduardo de Souza Oliveira, conhecido como “Dubarranco”.
O ataque aconteceu quando homens em uma motocicleta se aproximaram do veículo onde o músico estava acompanhado da família e efetuaram disparos. Eduardo e a filha de apenas 4 anos foram baleados, mas sobreviveram.
Leia mais: Familiares de PMs presos se colocam na frente de ônibus para tentar impedir transferência em Manaus
Mesmo custodiado no núcleo prisional, Saimon foi flagrado deixando a unidade sem autorização. Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento dirigindo uma Land Rover de luxo, avaliada em valores que podem chegar perto de R$ 1 milhão, dependendo da versão do veículo.
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Nas imagens divulgadas pela reportagem, o militar estaciona o automóvel em um mercado localizado ao lado do núcleo prisional, realiza compras normalmente e depois retorna para a unidade.
Governo desativa núcleo após denúncias
Após a repercussão das denúncias e o avanço das investigações, o Governo do Amazonas decidiu desativar o antigo núcleo prisional militar.
Os policiais presos foram transferidos para uma unidade localizada dentro de um complexo prisional com estrutura considerada mais adequada para custódia e monitoramento.
A mudança provocou protestos de familiares e também dos próprios detentos, mas a transferência foi concluída sem necessidade do uso da força.
O caso segue sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelas autoridades estaduais, que investigam possíveis responsabilidades administrativas e falhas na fiscalização da unidade prisional militar.
A repercussão das denúncias também reacendeu debates sobre privilégios, fiscalização e transparência no sistema de custódia de agentes de segurança pública no Amazonas.
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