Saiba como agiotas movimentaram R$ 24 milhões com esquema de terror em Manaus
Grupo criminoso cobrava juros abusivos e usava ameaças, sequestros e violência extrema contra vítimas no Amazonas.
- Foto: Divulgação
Resumo
A Polícia Civil do Amazonas prendeu 20 investigados durante a operação “Covil do Mamon”, que desarticulou um esquema milionário de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, vítimas chegavam a transformar empréstimos de R$ 150 em dívidas superiores a R$ 45 mil sob ameaças, tortura e violência.
Notícias policiais – A operação “Covil do Mamon”, deflagrada pelas Forças de Segurança do Amazonas nesta quarta-feira (20), revelou um esquema milionário de agiotagem e extorsão marcado por violência extrema, tortura e lavagem de dinheiro. Ao todo, 20 investigados foram presos pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), incluindo dois policiais militares capturados em Santa Catarina.
Segundo as investigações, as organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 24 milhões por meio de empréstimos ilegais com juros abusivos e cobranças violentas. O esquema criminoso também é investigado por homicídios consumados e tentados, sequestros, cárcere privado e lavagem de dinheiro interestadual.
Além das prisões, a operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, sequestrou 42 veículos e sete imóveis, além de bloquear contas bancárias e suspender as atividades de sete empresas ligadas aos investigados.
Esquema transformava pequenas dívidas em valores milionários
As investigações conduzidas pelo 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP) apontaram que o grupo atuava oferecendo empréstimos rápidos a vítimas em situação de vulnerabilidade financeira. Porém, os juros cobrados eram considerados extorsivos.
Segundo o delegado Fernando Bezerra, responsável pela investigação, pequenas quantias emprestadas evoluíam para dívidas impagáveis em pouco tempo.
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“Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Temos casos que a dívida progrediu em uma progressão que não se justifica para mais de R$ 400 mil”, afirmou.
De acordo com a polícia, quando as vítimas atrasavam os pagamentos, entrava em ação um sistema organizado de cobranças violentas.
As vítimas eram submetidas a:
- Ameaças constantes;
- Extorsão;
- Lesão corporal;
- Tortura;
- Sequestro;
- Cárcere privado;
- Homicídios relacionados às cobranças.
O delegado destacou que os criminosos utilizavam o medo como ferramenta principal para manter o esquema funcionando.
“É uma forma extremamente inescrupulosa de cobranças através de lesão corporal, ameaças acintosas. Temos catalogados homicídios derivados desses atos de cobrança”, disse Fernando Bezerra.
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Polícia identificou toda a estrutura da organização
Segundo a Polícia Civil, a investigação conseguiu mapear toda a cadeia operacional das organizações criminosas.
De acordo com Fernando Bezerra, foram identificados os responsáveis pelo comando financeiro, logística, cobrança e execução das ações violentas.
“A investigação foi exitosa porque conseguiu identificar toda a cadeia criminosa e todos os responsáveis por cada etapa”, afirmou.
A operação alcançou:
- Núcleo diretivo;
- Núcleo operacional;
- Núcleo financeiro;
- Núcleo logístico;
- Cobradores;
- Responsáveis pelo fornecimento de armas e veículos.
Ainda segundo o delegado, as prisões atingiram tanto líderes quanto integrantes que executavam diretamente as cobranças violentas.
Lavagem de dinheiro alcançava outros estados
As investigações apontaram que o esquema de lavagem de dinheiro ultrapassava o Amazonas e mantinha conexões em outros estados brasileiros.
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Segundo a PC-AM, foram identificadas movimentações financeiras ligadas à Paraíba, Roraima e Santa Catarina.
Foi justamente em Santa Catarina que dois policiais militares do Amazonas foram presos durante a operação desta quarta-feira.
Dos 20 presos, sete foram capturados em Manaus e outros 13 fora do estado.
Armas, espadas e equipamentos foram apreendidos
Durante a ofensiva policial, os agentes apreenderam diversos materiais utilizados pelas organizações criminosas.
Entre os itens recolhidos estão:
- Armas de fogo;
- Espadas;
- Computadores;
- Celulares;
- Mídias digitais;
- Documentos.
As espadas apreendidas chamaram atenção da polícia e da imprensa pelos detalhes considerados macabros, incluindo símbolos demoníacos e cabeças de cabra ornamentadas nos cabos.
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Segundo o delegado Fernando Bezerra, o material ainda será analisado para identificar possíveis novos envolvidos.
“Nós temos consciência de que a investigação não para por aí e vem a segunda fase”, afirmou.
PM diz que não compactua com corrupção
O diretor de comunicação da Polícia Militar do Amazonas, major Andrey Oliveira, afirmou que os policiais militares presos já estavam afastados das funções e respondiam a processos anteriores.
Segundo ele, a corporação não compactua com práticas criminosas envolvendo agentes de segurança pública.
“Reafirmamos que a Polícia Militar do Amazonas não compactua com esses casos de corrupção policial”, declarou.
O major informou que a instituição aguarda o avanço das investigações da Polícia Civil para adotar novas medidas administrativas, incluindo possível exclusão dos envolvidos.
Enquanto isso, a operação “Covil do Mamon” segue em andamento e novas fases da investigação não estão descartadas pelas autoridades.
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