Saiba por que a Polícia Federal rejeitou a delação premiada de Daniel Vorcaro
Ex-banqueiro preso por fraudes bilionárias segue negociando colaboração premiada com a PGR após decisão da Polícia Federal.
- Foto: Agência Brasil
Resumo
A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro após concluir que ele não apresentou informações novas relevantes para as investigações. Entre os fatores que pesaram contra o acordo estão supostas omissões envolvendo políticos, ministros do STF e repasses milionários ligados ao senador Flávio Bolsonaro. As negociações seguem com a PGR.
Notícias do Brasil – A tentativa de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sofreu um duro revés nesta quarta-feira (20), após a Polícia Federal rejeitar oficialmente o acordo proposto pela defesa do empresário. Preso desde março sob suspeita de fraudes financeiras bilionárias, Vorcaro buscava fechar uma delação premiada que pudesse reduzir sua pena e ampliar sua margem de negociação com autoridades.
Segundo fontes ligadas às investigações, a PF concluiu que o material apresentado até agora não trouxe fatos inéditos ou elementos considerados relevantes para avançar nos inquéritos já em andamento. Na avaliação dos investigadores, a colaboração foi considerada “limitada”, “seletiva” e marcada pela omissão de personagens centrais do caso.
Apesar da negativa da Polícia Federal, as negociações continuam abertas com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda demonstra interesse em aprofundar as tratativas.
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PF apontou ausência de fatos novos
O principal motivo para a rejeição foi a percepção de que Vorcaro não entregou novidades capazes de alterar o rumo das investigações. Fontes próximas ao caso afirmam que grande parte das informações já era de conhecimento da PF antes mesmo da proposta de colaboração.
Leia mais: PF aponta omissões e rejeita acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro
Além disso, investigadores entenderam que o ex-banqueiro teria evitado citar determinadas relações políticas e financeiras consideradas estratégicas para o caso.
A insatisfação dentro da corporação aumentou após a defesa entregar uma primeira minuta da delação no início de maio. O conteúdo foi analisado tanto pela PF quanto pela PGR, mas acabou frustrando investigadores que esperavam revelações mais abrangentes sobre o esquema investigado.
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Ligações políticas pesaram contra Vorcaro
Entre os episódios que mais desagradaram os investigadores está a suposta omissão envolvendo o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas.
De acordo com a investigação, Ciro teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao antigo Banco Master. A suspeita envolve uma proposta de emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que, segundo investigadores, interessava diretamente à instituição financeira comandada por Vorcaro.
A PF aponta que integrantes do banco teriam participado da elaboração da proposta. No entanto, o ex-banqueiro não teria mencionado esse episódio em sua colaboração inicial.
Outro ponto considerado grave foi a ausência de informações sobre a relação entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro.
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Repasse milionário e filme “Dark Horse”
Na última semana, reportagens revelaram mensagens, documentos e áudios indicando negociações milionárias entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiamento do filme “Dark Horse”.
Segundo os relatos divulgados, o valor negociado teria chegado a R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos ao parlamentar.
As informações aumentaram o desgaste da tentativa de delação porque, segundo investigadores, Vorcaro não mencionou nem os pagamentos nem os encontros realizados com o senador durante as negociações com a PF e a PGR.
Na terça-feira (19), Flávio Bolsonaro confirmou ter se encontrado com o ex-banqueiro em dezembro de 2025, período em que Vorcaro já cumpria prisão domiciliar.
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STF e Congresso aparecem no radar
Outro fator sensível nas negociações envolve o possível alcance político da colaboração. Fontes ligadas ao caso afirmam que existe potencial para envolver integrantes do Congresso Nacional e até ministros do Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores, porém, aliados de Vorcaro avaliam que relações institucionais entre integrantes da Procuradoria-Geral da República e ministros da Corte poderiam dificultar avanços em determinadas frentes da delação.
A expectativa da defesa era priorizar um acordo diretamente com a PGR, considerada mais aberta à negociação do que a Polícia Federal.
Prisão, cela comum e pressão nas negociações
Na segunda-feira (18), Vorcaro foi transferido para uma cela comum dentro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O movimento foi interpretado nos bastidores como um sinal claro de desgaste entre investigadores e a defesa do ex-banqueiro.
Atualmente, três pontos concentram as discussões para eventual acordo: o ressarcimento estimado em cerca de R$ 50 bilhões, o modelo de cumprimento da pena e a profundidade das informações apresentadas.
Vorcaro tenta garantir prisão domiciliar ao menos até eventual julgamento, enquanto autoridades cobram revelações mais amplas sobre agentes políticos, operadores financeiros e possíveis ramificações institucionais do caso.
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