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Lula assina decretos que endurecem regras para redes sociais e prevê fiscalização de big techs por agência do governo

Novas medidas ampliam poder da ANPD, obrigam plataformas a remover conteúdos ilegais sem ordem judicial e criam regras para proteção de mulheres no ambiente digital.

Por Natan AMPOST

21/05/2026 às 14:29 - Atualizado em 03/06/2026 às 14:27

Resumo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos que ampliam a fiscalização sobre redes sociais no Brasil, endurecem regras para big techs e determinam remoção de conteúdos ilegais sem decisão judicial em alguns casos. As medidas também criam novas proteções para mulheres vítimas de violência digital e imagens falsas produzidas por inteligência artificial.

Notícias do Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (20) dois decretos que ampliam a regulamentação das redes sociais no Brasil e fortalecem o poder de fiscalização do governo federal sobre as chamadas big techs. As medidas atualizam regras do Marco Civil da Internet e estabelecem novas obrigações para plataformas digitais em casos de crimes virtuais, desinformação e violência contra mulheres.

Os textos foram assinados sem necessidade de aprovação do Congresso Nacional e serão publicados no Diário Oficial da União (DOU). A principal mudança é a ampliação das responsabilidades das plataformas digitais sobre conteúdos publicados por usuários, seguindo decisões recentes do Supremo Tribunal Federal.

Com os decretos, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), vinculada ao Ministério da Justiça, passa a ter papel central na fiscalização das empresas de tecnologia. O órgão deixa de atuar apenas na proteção de dados pessoais e assume também funções de supervisão das redes sociais e do chamado ECA Digital.

Governo amplia pressão sobre plataformas digitais

Desde o início do terceiro mandato, Lula tem defendido maior controle sobre empresas de tecnologia, alegando necessidade de combate a crimes virtuais, discursos de ódio e disseminação de fake news.

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As novas regras alteram a forma como plataformas poderão ser responsabilizadas judicialmente. Antes, as empresas só respondiam por conteúdos publicados por terceiros caso descumprissem ordens judiciais para remoção das postagens.

Leia também: Congresso derruba vetos de Lula e libera repasses a estados e municípios durante campanha eleitoral

Agora, em situações consideradas graves, as plataformas poderão ser punidas mesmo sem decisão judicial prévia. Entre os conteúdos classificados como prioritários para remoção estão terrorismo, incentivo ao suicídio, ataques à democracia, racismo, homofobia e crimes contra mulheres e crianças.

Nesses casos, as redes sociais deverão agir rapidamente para retirar conteúdos do ar, sob risco de serem responsabilizadas por falhas sistêmicas em seus mecanismos de controle.

O decreto também determina que conteúdos ilegais poderão ser removidos após simples notificação, sem necessidade de autorização da Justiça.

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Além disso, as empresas terão obrigação de:

  • Criar canais permanentes de denúncia;
  • Informar usuários sobre medidas adotadas;
  • Permitir contestação das decisões de remoção;
  • Armazenar dados relacionados às publicações;
  • Colaborar com investigações criminais;
  • Combater anúncios fraudulentos e golpes financeiros.

O governo argumenta que as mudanças criam uma espécie de “devido processo legal digital”, permitindo mais transparência na relação entre usuários e plataformas.

ANPD terá atuação ampliada

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados passa a ocupar posição estratégica na fiscalização das empresas de tecnologia. Além da proteção de dados pessoais, o órgão será responsável por monitorar se as plataformas estão cumprindo as novas obrigações impostas pelos decretos e pelo STF.

A ANPD também já atua na fiscalização do chamado ECA Digital, legislação voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual e que entrou em vigor neste ano.

Com as novas regras, as big techs terão de enviar relatórios periódicos detalhando ações de prevenção contra crimes virtuais, fraudes digitais e conteúdos considerados ilegais.

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O governo ainda não detalhou quais serão as penalidades aplicadas em casos de descumprimento, mas o Marco Civil da Internet prevê advertências, suspensão de atividades e multas financeiras.

Proteção para mulheres e vítimas de violência digital

O segundo decreto assinado pelo presidente Lula cria medidas específicas voltadas à proteção de mulheres e meninas na internet.

As plataformas digitais serão obrigadas a oferecer canais exclusivos para denúncias envolvendo divulgação de nudez sem consentimento e imagens falsas criadas por inteligência artificial, conhecidas como “deepfakes”.

Segundo o texto, conteúdos denunciados deverão ser removidos em até duas horas após comunicação da vítima ou de representante legal.

As empresas também terão de atuar para reduzir o alcance de ataques coordenados contra mulheres, incluindo campanhas de perseguição virtual contra jornalistas, influenciadoras e figuras públicas.

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Outra determinação proíbe plataformas de disponibilizarem ferramentas de inteligência artificial voltadas à criação de “nudes falsos” utilizando imagens reais de pessoas.

Os canais de denúncia deverão ainda informar vítimas sobre o serviço 180, utilizado pelo governo federal para denúncias de violência contra a mulher.

Liberdade de expressão entra no debate

Apesar do endurecimento das regras, os decretos estabelecem salvaguardas para determinados tipos de manifestações online.

O texto prevê proteção para conteúdos classificados como:

  • crítica;
  • sátira;
  • paródia;
  • manifestações religiosas;
  • liberdade de crença;
  • conteúdo jornalístico e informativo.

Mesmo assim, especialistas e representantes das plataformas devem intensificar o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e responsabilização digital.

A regulamentação das redes sociais tem sido alvo de forte polarização política no Brasil nos últimos anos. Enquanto apoiadores do governo defendem maior controle para combater crimes virtuais e desinformação, críticos afirmam que as medidas podem abrir espaço para censura e insegurança jurídica.

As novas regras entram em vigor após publicação oficial no Diário Oficial da União.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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Anne Alvarez

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