Justiça dos EUA autoriza intimar Alexandre de Moraes por e-mail em ação por acusação de “censura”
Decisão da Corte da Flórida destrava processo contra o ministro do STF e abre caminho para julgamento sobre supostas ordens de censura contra plataformas americanas.
- Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil
Resumo
A Justiça Federal da Flórida autorizou a citação por e-mail do ministro Alexandre de Moraes em ação movida pelas plataformas Rumble e Trump Media. O caso envolve acusações de censura contra conteúdos protegidos pela Constituição dos EUA e pode avançar para julgamento à revelia.
Notícias do Brasil – A Justiça Federal da Flórida autorizou nesta sexta-feira (22) a citação por e-mail do ministro Alexandre de Moraes em uma ação movida pelas plataformas Rumble e Trump Media & Technology Group.
A decisão foi tomada pela juíza Mary S. Scriven e representa um avanço importante no processo, que estava travado havia meses devido às dificuldades para notificar formalmente o magistrado brasileiro pelos meios tradicionais previstos em acordos internacionais.
Com a autorização da citação eletrônica, a ação poderá finalmente seguir para análise de mérito na Justiça americana. Caso Moraes não apresente resposta dentro do prazo estabelecido, as empresas poderão solicitar julgamento à revelia.
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Corte americana destrava processo após meses de impasse
Segundo o advogado Martin De Luca, representante das plataformas nos Estados Unidos, a Justiça concluiu que houve tentativas suficientes de notificação formal através dos mecanismos previstos na Convenção da Haia.
No entanto, a Corte avaliou que o procedimento no Brasil teria se tornado “politizado e efetivamente indisponível”, justificando assim a autorização para que a citação ocorra por e-mail.
A decisão foi considerada estratégica porque remove o principal obstáculo processual que impedia o andamento da ação desde janeiro de 2025, quando o caso foi protocolado pelas empresas americanas.
Agora, após ser oficialmente citado, Alexandre de Moraes terá prazo para apresentar defesa perante o tribunal dos EUA.
Empresas acusam Moraes de censura contra plataformas americanas
Na ação judicial, a Rumble e a Trump Media & Technology Group alegam que Alexandre de Moraes teria emitido ordens sigilosas de censura contra conteúdos publicados em plataformas americanas.
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Segundo as empresas, as determinações judiciais teriam afetado publicações protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, dispositivo que garante ampla proteção à liberdade de expressão no país.
A petição também sustenta que Moraes teria atuado de maneira extraterritorial ao ordenar remoções de conteúdo e bloqueios de contas sem utilizar canais diplomáticos ou cooperação judicial internacional adequada.
De acordo com o advogado Martin De Luca, o ministro brasileiro teria contornado o governo e os tribunais americanos para impor restrições diretamente às plataformas digitais.
Caso amplia tensão entre STF e big techs
O processo nos Estados Unidos acontece em meio a um histórico recente de confrontos entre Alexandre de Moraes e grandes empresas de tecnologia.
Nos últimos anos, Moraes se tornou figura central em investigações relacionadas a fake news, ataques às instituições democráticas e atuação de milícias digitais.
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As decisões do ministro levaram ao bloqueio de perfis, remoção de conteúdos e aplicação de multas milionárias contra plataformas digitais que descumpriram ordens judiciais brasileiras.
O episódio de maior repercussão internacional ocorreu em 2024, quando o X, controlado por Elon Musk, foi temporariamente bloqueado no Brasil após disputas envolvendo cumprimento de decisões judiciais.
O caso gerou debates globais sobre limites entre soberania nacional, moderação de conteúdo e liberdade de expressão nas redes sociais.
Revelia pode abrir novo cenário jurídico
Com a autorização da citação por e-mail, o próximo passo do processo dependerá da resposta — ou ausência dela — por parte do ministro do STF.
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Caso Moraes não se manifeste dentro do prazo determinado pela Justiça americana, as empresas poderão pedir a decretação de revelia em até 21 dias após a notificação.
Especialistas em direito internacional apontam que uma eventual condenação à revelia poderia ter efeitos jurídicos complexos, especialmente por envolver imunidade de autoridades estrangeiras e questões de soberania entre países.
Ainda assim, o avanço do processo é visto como um marco relevante nas disputas globais envolvendo decisões judiciais nacionais e atuação de plataformas digitais internacionais.
Caso pode criar precedente internacional
Juristas avaliam que o desdobramento da ação poderá influenciar futuras disputas relacionadas a ordens judiciais emitidas por países contra empresas de tecnologia sediadas no exterior.
O processo também deve ampliar o debate internacional sobre até onde autoridades nacionais podem atuar em plataformas digitais globais sem violar legislações estrangeiras.
Enquanto isso, a tensão entre tribunais, redes sociais e empresas de tecnologia segue crescendo em diferentes partes do mundo, especialmente em temas ligados à liberdade de expressão, combate à desinformação e alcance internacional das decisões judiciais.
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