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“Indício de manipulação”, diz Nunes Marques ao barrar divulgação de pesquisa da AtlasIntel

Presidente do TSE identificou possíveis falhas metodológicas e determinou a suspensão da divulgação do levantamento da AtlasIntel/Bloomberg.

Por Natan AMPOST

08/06/2026 às 18:30 - Atualizado em 08/06/2026 às 21:29

Resumo 


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg que apontava queda de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para a Presidência da República. Na decisão, o magistrado afirmou haver “indício de manipulação” e possíveis mecanismos de indução dos entrevistados por meio do questionário aplicado.

Notícias do Brasil – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que apontou uma queda significativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial de 2026. A decisão foi tomada após representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada pelo instituto.

Na decisão liminar, o magistrado afirmou que existem elementos suficientes para uma análise mais aprofundada sobre a regularidade do levantamento e destacou a existência de possíveis problemas metodológicos capazes de influenciar o comportamento dos entrevistados.

O ponto central do despacho está na avaliação de que haveria “indício de manipulação” e risco de comprometimento da neutralidade da pesquisa.

Segundo Nunes Marques, a discussão não envolve apenas divergências técnicas sobre a elaboração do estudo eleitoral.

“A controvérsia suscitada nos autos não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou o ministro.

Questionário virou alvo da ação do PL

A ação apresentada pelo Partido Liberal sustenta que a pesquisa ultrapassou o papel tradicional de aferir a opinião pública e teria sido estruturada para criar uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

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O partido questionou especialmente a inclusão de perguntas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e à divulgação de conversas envolvendo o senador.

Na avaliação dos advogados do PL, a sequência das perguntas poderia influenciar as respostas posteriores relacionadas à imagem do parlamentar, rejeição eleitoral e intenção de voto.

Para o partido, a metodologia utilizada teria produzido um ambiente favorável à formação de uma opinião negativa antes da coleta dos dados eleitorais propriamente ditos.

Ministro vê risco de “contaminação das respostas”

Ao analisar os documentos apresentados pelas partes, Nunes Marques concluiu que existem elementos que justificam a intervenção cautelar da Justiça Eleitoral.

Leia mais: TSE manda suspender pesquisa que apontava queda de Flávio Bolsonaro

Em um dos trechos mais contundentes da decisão, o presidente do TSE afirmou que há sinais de possível comprometimento metodológico.

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“Os elementos trazidos aos autos reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, destacou.

O magistrado também observou que a pesquisa utilizou mecanismos que poderiam influenciar os entrevistados antes da formulação de perguntas eleitorais.

Segundo ele, há indícios de possível “contaminação das respostas”, principalmente em razão da ordem sequencial das perguntas e do emprego de expressões com forte carga valorativa negativa.

Outro fator levado em consideração foi a utilização de conteúdo audiovisual relacionado ao caso investigado.

Comparação com outras pesquisas pesou na decisão

Um dos argumentos destacados por Nunes Marques foi a diferença entre o questionário da pesquisa contestada e os formulários utilizados pela própria AtlasIntel em outros levantamentos registrados na Justiça Eleitoral.

O ministro ressaltou que outras 27 pesquisas realizadas pelo instituto não continham perguntas semelhantes nem utilizavam recursos audiovisuais comparáveis aos empregados no levantamento questionado.

A constatação foi considerada relevante para reforçar a necessidade de uma investigação mais detalhada sobre a metodologia aplicada.

Segundo a decisão, esse cenário fortalece a tese de que a pesquisa pode ter se afastado dos padrões normalmente adotados pela empresa.

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Queda de Flávio Bolsonaro chamou atenção

A pesquisa suspensa ganhou repercussão nacional após apontar uma mudança expressiva no cenário eleitoral.

No levantamento realizado anteriormente, em abril, Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareciam tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno.

Na ocasião, Flávio registrava 47,8% das intenções de voto, enquanto Lula aparecia com 47,5%.

Já na pesquisa divulgada em 19 de maio, o cenário mudou significativamente.

Lula passou a registrar 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 41,8%, uma redução de aproximadamente seis pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior.

A divulgação ocorreu após a repercussão pública de conversas envolvendo o senador e Daniel Vorcaro, relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.

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AtlasIntel terá de apresentar explicações

Além de suspender novas divulgações da pesquisa, Kassio Nunes Marques determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para esclarecer aspectos da metodologia utilizada.

O ministro solicitou informações específicas sobre o conteúdo audiovisual utilizado durante as entrevistas e sobre os procedimentos adotados na aplicação do questionário.

O Ministério Público Eleitoral também foi acionado e deverá se manifestar sobre o caso.

Enquanto isso, a liminar impede a empresa de promover novas divulgações, impulsionamentos, republicações ou manutenção do levantamento em seus canais oficiais.

Decisão ainda será analisada pelo plenário

Apesar da suspensão imediata, o mérito da questão ainda será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão de Nunes Marques possui caráter liminar e deverá ser submetida ao referendo da Corte.

Até que haja uma definição definitiva, o levantamento permanece suspenso.

Ao justificar a medida, o presidente do TSE afirmou que a providência busca preservar a integridade do processo eleitoral e garantir que eventuais pesquisas divulgadas ao eleitorado respeitem critérios de neutralidade e rigor metodológico.

“A fim de resguardar a lisura do processo eleitoral e assegurar análise mais aprofundada acerca da regularidade do questionário e dos critérios para a realização de pesquisas, quando houver indício de manipulação ou lesão à legitimidade do pleito”, concluiu o ministro.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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