Senador critica fim da escala 6×1 e alerta para impacto em empregos, inflação e empresas
Hermes Klann defende modelo flexível de contratação e diz que redução da jornada exige debate mais amplo.
- Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Resumo
O senador Hermes Klann (PL-SC) criticou a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem diminuição salarial. Segundo o parlamentar, a medida pode elevar custos para empresas, pressionar a inflação e afetar a competitividade da economia brasileira.
Notícias do Brasil – O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas sem redução salarial ganhou novo capítulo no Senado Federal. Em pronunciamento realizado nesta terça-feira (9), o senador Hermes Klann (PL-SC) manifestou oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 e afirmou que a medida pode gerar impactos negativos para empresas, trabalhadores e para a economia brasileira.
Segundo o parlamentar, embora a busca por melhores condições de trabalho seja legítima, qualquer mudança na legislação precisa considerar os efeitos sobre a geração de empregos, a produtividade e a capacidade de investimento do setor produtivo.
A PEC em discussão prevê a extinção da tradicional escala 6×1, adotada em diversos segmentos da economia, além da redução da jornada semanal para 40 horas sem alteração nos salários.
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Senador aponta risco de aumento de custos
Durante o discurso, Hermes Klann argumentou que a proposta pode elevar significativamente os custos operacionais das empresas, principalmente em setores que dependem de funcionamento contínuo ou possuem alta demanda por mão de obra.
De acordo com ele, a redução da carga horária sem ajustes estruturais obrigaria empregadores a contratar mais funcionários ou reorganizar escalas, aumentando despesas trabalhistas.
“O Brasil já convive com uma das legislações trabalhistas mais complexas e custosas do mundo. Precisamos simplificar, modernizar e aumentar nossa competitividade, e não criar mais rigidez”, afirmou.
O senador destacou que a realidade econômica varia entre os diferentes setores produtivos e que uma regra única pode gerar dificuldades para determinadas atividades.
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Comércio, saúde e agronegócio são citados
Ao justificar sua posição, Hermes Klann citou exemplos de áreas que, segundo ele, possuem características específicas de funcionamento.
“O nosso mercado de trabalho é diverso. A realidade de um hospital não é a mesma do comércio. Por isso, não faz sentido impor uma única regra para todos os setores da economia. O que funciona para uma atividade pode ser inviável para outra”, declarou.
Na avaliação do parlamentar, segmentos como comércio, indústria, agronegócio e saúde precisam de mecanismos que permitam maior flexibilidade na organização das jornadas de trabalho.
Ele argumenta que mudanças amplas e uniformes podem provocar dificuldades operacionais, principalmente para pequenas e médias empresas.
PEC alternativa propõe modelo flexível
Como alternativa à proposta que reduz a jornada semanal, Hermes Klann defende a PEC 12/2026.
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O texto propõe um sistema de contratação mais flexível, permitindo que trabalhadores escolham entre permanecer nas regras atuais da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou aderir a um modelo baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
Nesse formato, empregado e empregador poderiam firmar acordos para definir a remuneração conforme o tempo de serviço prestado.
Segundo o senador, a proposta busca ampliar a liberdade de negociação e adaptar as relações de trabalho às diferentes realidades econômicas existentes no país.
Debate envolve produtividade e geração de empregos
Durante o pronunciamento, Hermes Klann afirmou que a melhoria das condições de vida dos trabalhadores deve estar associada ao crescimento econômico e ao aumento da produtividade.
Para ele, políticas trabalhistas precisam equilibrar proteção ao trabalhador e sustentabilidade das empresas.
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“O Brasil não precisa de medidas que aumentem custos, pressionem a inflação e reduzam a competitividade das nossas empresas. O Brasil precisa de produtividade, investimento, geração de empregos e liberdade econômica”, declarou.
O senador também relacionou o fortalecimento das empresas à criação de oportunidades de trabalho e à melhoria da renda da população.
“Empresas fortes geram empregos fortes; empregos fortes geram salários melhores; salários melhores geram qualidade de vida verdadeira”, concluiu.
Discussão segue no Congresso Nacional
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 continua gerando debates entre parlamentares, representantes de trabalhadores e entidades empresariais.
Defensores da medida argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, aumentar o tempo de convivência familiar e contribuir para a saúde física e mental.
Já críticos da proposta apontam possíveis reflexos sobre os custos de produção, a inflação e o nível de emprego.
Com o tema ganhando espaço nas discussões nacionais, o Congresso deverá continuar analisando alternativas para conciliar desenvolvimento econômico, competitividade empresarial e proteção aos trabalhadores.
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