Residência oficial do Brasil em Roma hospedou artistas ligados ao governo Lula
Lista obtida via LAI mostra uso da residência oficial por artistas e autoridades brasileiras.
- Foto: PR
Resumo
Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a residência oficial do Brasil em Roma recebeu artistas ligados a eventos culturais promovidos pelo Itamaraty durante o governo Lula. Entre os hóspedes estão nomes que declararam apoio ao presidente nas eleições de 2022, como Fafá de Belém, Mônica Salmaso, Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei. O Ministério das Relações Exteriores afirma que as hospedagens fazem parte de ações de diplomacia cultural e promoção institucional do Brasil no exterior.
Notícias do Brasil – A residência oficial do Brasil em Roma, administrada pelo Ministério das Relações Exteriores, foi utilizada nos últimos anos para hospedar artistas brasileiros convidados para eventos culturais promovidos pela embaixada na Itália. Entre os nomes listados em documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) estão artistas que manifestaram apoio público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
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A relação inclui as cantoras Fafá de Belém e Mônica Salmaso, além dos escritores Marcelo Rubens Paiva e Aline Bei. Segundo o Itamaraty, as estadias ocorreram dentro do Programa de Diplomacia Cultural, iniciativa voltada à promoção da cultura brasileira no exterior.
Programação cultural financiada pelo Itamaraty
De acordo com os registros, Fafá de Belém ficou hospedada na residência oficial entre os dias 18 e 22 de maio de 2024, ao lado do músico André Mehmari. Os dois participaram de apresentações em Roma e em San Marino. O custo aprovado para a atividade cultural foi de 45.122 euros, valor equivalente a cerca de R$ 273 mil na cotação atual.
Já a cantora Mônica Salmaso esteve na capital italiana em outubro de 2024 acompanhada de músicos de sua equipe. O evento ligado à artista teve orçamento de 7.650 euros, cerca de R$ 51 mil corrigidos. O ator Fábio Porchat também aparece relacionado à embaixada brasileira em Roma, mas, segundo o Itamaraty, ele viajou com recursos próprios e foi recebido como hóspede particular do embaixador Renato Mosca.
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Lista de hóspedes foi liberada após decisão da CGU
As informações foram liberadas após decisão da Controladoria-Geral da União (CGU), que acolheu recurso apresentado pela imprensa. Inicialmente, o Itamaraty havia negado acesso aos dados, alegando que o pedido era considerado “desproporcional” e “desarrazoado”.
Ao todo, os documentos mostram a hospedagem de 68 pessoas e acompanhantes na residência oficial brasileira em Roma. A maior parte da lista é formada por autoridades públicas, assessores e integrantes do governo federal.
Autoridades também utilizaram residência oficial
Entre os nomes citados estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, a ex-presidente Dilma Rousseff, além de ministros e integrantes do Judiciário. Dilma Rousseff esteve hospedada na residência entre abril de 2024, período em que, segundo telegrama diplomático, buscava agenda privada com o Papa Francisco. O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ex-ministro Gilberto Carvalho também utilizaram as dependências do imóvel.
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o ex-presidente do Superior Tribunal Militar, Joseli Camelo, também aparecem na relação divulgada.
Itamaraty defende uso institucional do espaço
Em nota enviada junto às informações da LAI, o Itamaraty afirmou que a embaixada em Roma atua na promoção institucional do Brasil por meio de iniciativas culturais, acadêmicas, comerciais e diplomáticas. Segundo a pasta, a hospedagem de artistas convidados ocorre como apoio institucional em razão da participação deles em atividades públicas ligadas à divulgação da cultura brasileira no exterior.
O ministério também destacou que apresentações culturais fazem parte das estratégias de diplomacia pública e fortalecimento da imagem do país em outros territórios.
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