Senado aprova uso de recursos do pré-sal para renegociar dívidas do agro, impacto é estimado em R$ 140 bilhões
Projeto prevê juros reduzidos e prazo de até 15 anos para pagamento.
- Foto: Agência Senado
Resumo
O Senado Federal aprovou um projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e crises internacionais. A medida, que pode gerar impacto fiscal estimado em R$ 140 bilhões ao longo de uma década, retorna agora para análise da Câmara dos Deputados.
Notícias do Brasil – O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (10) uma proposta que cria mecanismos para renegociação de dívidas do setor agropecuário utilizando recursos do Fundo Social do pré-sal. A medida beneficia produtores rurais e cooperativas afetados por perdas econômicas decorrentes de eventos climáticos extremos e instabilidades internacionais.
Segundo estimativas apresentadas durante a tramitação, o impacto fiscal da proposta pode chegar a R$ 140 bilhões ao longo dos próximos dez anos.
PUBLICIDADE
Leia mais: El Niño: Governo do Amazonas decreta emergência climática por ameaça de seca severa e queimadas
Projeto avança sem consenso com a Fazenda
A votação ocorreu após uma tentativa frustrada de negociação entre parlamentares ligados ao agronegócio e representantes do Ministério da Fazenda.
O relator da matéria, senador Renan Calheiros (MDB-AL), participou de uma reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pouco antes da apreciação do texto. No entanto, as partes não chegaram a um entendimento sobre os termos da proposta.
Com isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu levar o projeto ao plenário para deliberação.
Recursos do pré-sal financiarão programa
A proposta prevê a utilização de receitas provenientes da exploração do pré-sal para custear uma linha especial de crédito destinada à liquidação ou renegociação de débitos rurais.
Os recursos poderão ser obtidos a partir:
- do superávit do Fundo Social entre 2025 e 2026;
- de receitas provenientes da exploração petrolífera entre 2026 e 2027;
- de outros fundos administrados pelo governo federal.
Quem poderá aderir ao programa
O benefício será destinado a produtores rurais e cooperativas agropecuárias que registraram perdas significativas entre 2019 e 2025.
PUBLICIDADE
Para participar, será necessário comprovar prejuízos em pelo menos duas safras, com redução mínima de 30% da renda bruta da atividade.
Também poderão ser incluídas:
- dívidas contratadas até 31 de dezembro de 2025;
- operações renegociadas até abril de 2026;
- parcelas vencidas entre 2024 e 2027 que permaneçam inadimplentes;
- Cédulas de Produto Rural (CPRs).
Limites de financiamento e condições
O texto estabelece diferentes limites de crédito conforme o perfil do beneficiário.
Cada produtor poderá acessar até R$ 10 milhões para renegociação das dívidas. Já cooperativas, associações e condomínios rurais poderão obter até R$ 50 milhões.
Os financiamentos terão:
- prazo de pagamento de até 13 anos;
- dois anos de carência;
- possibilidade de extensão para até 15 anos em situações excepcionais.
Juros variam conforme porte do produtor
As taxas de juros previstas no projeto serão diferenciadas de acordo com o enquadramento do beneficiário:
- 3,5% ao ano para agricultores familiares e beneficiários do Pronaf;
- 5,5% ao ano para produtores enquadrados no Pronamp;
- 7,5% ao ano para os demais produtores.
Texto retorna à Câmara dos Deputados
Como o Senado promoveu alterações no conteúdo da proposta durante a tramitação, o projeto precisará passar por nova análise da Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual sanção presidencial.
O tema integra um conjunto de propostas de elevado impacto fiscal que vêm mobilizando debates entre o Congresso Nacional e a equipe econômica do governo federal.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






