Hugo Motta coloca fim da escala 6×1 como item único para destravar plenário
Proposta será analisada na próxima semana após impasse entre Hugo Motta e governo federal.
- Foto: Agência Câmara
Resumo
A Câmara dos Deputados confirmou para a próxima semana a votação do projeto que prevê mudanças na escala de trabalho 6×1. A proposta do governo Lula tramita em regime de urgência constitucional, trava a pauta da Casa e está no centro de um embate entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, o Palácio do Planalto e a equipe econômica.
Notícias do Brasil – A Câmara dos Deputados confirmou para a próxima semana a votação do projeto que altera a escala de trabalho 6×1, uma das principais propostas trabalhistas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto passou a bloquear outras deliberações na Casa por tramitar em regime de urgência constitucional, aumentando a pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para encontrar uma saída que destrave a pauta do plenário.
A proposta aparece como item único da pauta divulgada pela Câmara nesta sexta-feira (12) e deve ser apreciada pelos parlamentares na próxima terça-feira (16). O movimento ocorre em meio a divergências entre o Legislativo, o governo federal e integrantes da equipe econômica.
A estratégia adotada por Hugo Motta busca acelerar a tramitação da matéria e evitar que outros projetos considerados prioritários permaneçam paralisados.
Hugo Motta tenta destravar agenda da Câmara
Para conduzir a discussão, Hugo Motta escolheu o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator do projeto. A intenção é alinhar o texto à proposta de emenda constitucional aprovada anteriormente pela comissão especial da Câmara em 27 de maio.
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Nos bastidores, a decisão é interpretada como uma tentativa de simplificar o debate e acelerar a votação. A versão que deverá ir ao plenário reproduz parte da estrutura da PEC que trata da redução da jornada de trabalho.
Inicialmente, o governo pretendia incluir regras específicas para diferentes setores da economia, permitindo adequações conforme as características de cada atividade profissional. Entretanto, com a pressa para votar a matéria e liberar a pauta da Câmara, essas particularidades podem ficar para uma discussão futura.
A medida evidencia um impasse entre o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara.
Governo rejeitou retirar urgência
Nos últimos dias, Hugo Motta procurou integrantes do governo para solicitar a retirada do regime de urgência constitucional do projeto. A mudança permitiria mais tempo para negociações e evitaria o bloqueio das votações.
Contudo, o Executivo não aceitou recuar.
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Sem acordo, o presidente da Câmara decidiu levar o texto à votação mesmo sem consenso com o governo sobre o formato final da proposta.
Em declarações recentes, Motta demonstrou incômodo com a situação e deixou claro que pretende destravar os trabalhos legislativos independentemente das negociações em andamento.
A pressão sobre o parlamentar também aumentou devido a outras matérias consideradas prioritárias por diferentes bancadas.
Pautas de impacto fiscal preocupam equipe econômica
O projeto relacionado à escala de trabalho integra um conjunto de propostas que vêm sendo classificadas por integrantes da área econômica como potenciais geradoras de forte impacto sobre as contas públicas.
Entre elas está a medida que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes de arrecadação para financiar despesas públicas.
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Segundo estimativas citadas durante as discussões legislativas, o impacto financeiro da proposta pode alcançar cerca de R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos.
Por causa dos valores envolvidos, o tema passou a figurar entre as principais preocupações do Ministério da Fazenda.
A equipe econômica avalia que determinadas iniciativas aprovadas recentemente pelo Congresso podem gerar dificuldades para o equilíbrio fiscal e para o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo federal.
Senado amplia pressão sobre o governo
A tensão aumentou após o Senado Federal aprovar o projeto na quarta-feira (10), mesmo sem um entendimento prévio com a equipe econômica.
A votação foi conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que decidiu colocar a matéria em pauta apesar das resistências apresentadas por integrantes do governo.
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O episódio foi interpretado como mais um sinal da crescente autonomia do Congresso Nacional em relação às orientações do Palácio do Planalto.
Além dessa proposta, o Senado também avançou sobre outras matérias com potencial de impacto fiscal elevado.
Entre elas estão iniciativas relacionadas à aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e ao reajuste dos pisos salariais de médicos e dentistas.
Judicialização entra no radar
Diante da sequência de aprovações, integrantes da equipe econômica passaram a discutir alternativas para tentar barrar medidas consideradas incompatíveis com as regras fiscais em vigor.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não descarta recorrer ao Judiciário contra projetos que, na avaliação da área técnica, possam contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A possibilidade de judicialização demonstra o grau de tensão existente entre Executivo e Congresso em torno das propostas que ampliam gastos públicos ou criam novas obrigações financeiras para a União.
Com a votação marcada para a próxima semana, a Câmara dos Deputados se prepara para analisar uma das matérias mais sensíveis do momento, em um cenário de pressão política, disputa institucional e preocupações fiscais que seguem mobilizando governo, parlamentares e setores da economia.
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