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PF investiga rota de migração irregular usada por cubanos para entrar no Brasil via Roraima

Rede internacional de coiotes cobra até R$ 51 mil por migrante e já é alvo de operações policiais em Roraima.

Por Natan AMPOST

12/06/2026 às 14:17

Resumo


Autoridades brasileiras intensificaram o combate a uma rota de migração irregular de cubanos pela Amazônia. Apenas em 2026, mais de 225 migrantes foram resgatados em Roraima, enquanto investigações apontam a atuação de uma rede internacional de coiotes que cobra até R$ 51 mil por pessoa para facilitar a entrada no Brasil.

Notícias de Roraima – Uma nova rota de migração irregular que atravessa a Amazônia brasileira colocou autoridades federais em estado de alerta. O aumento expressivo da entrada de cubanos pela fronteira entre Guiana e Brasil levou forças de segurança a intensificarem operações de fiscalização e combate a organizações criminosas suspeitas de lucrar com o transporte clandestino de migrantes.

Somente entre janeiro e junho deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 225 cidadãos cubanos em situação irregular durante abordagens realizadas na BR-401, rodovia que conecta Boa Vista à fronteira com a Guiana. O número representa uma explosão no fluxo migratório quando comparado aos anos anteriores, que registraram cerca de 60 casos anuais.

O avanço da rota também revelou um cenário marcado por exploração financeira, condições degradantes de viagem e riscos constantes de acidentes fatais.

Travessia começa na Guiana

Segundo investigações das autoridades, a maior parte dos migrantes sai de Cuba em voos comerciais com destino à capital da Guiana, Georgetown.

A partir dali, seguem por via terrestre até a cidade de Lethem, localizada na fronteira com o município brasileiro de Bonfim, em Roraima.

A entrada no Brasil ocorre de diferentes formas. Alguns atravessam a pé a ponte internacional que liga os dois países. Outros utilizam embarcações clandestinas para cruzar trechos do rio que separa os territórios.

Depois da travessia, os migrantes seguem pela BR-401 rumo a Boa Vista, principal porta de entrada para o restante do país.

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Coiotes cobram até R$ 51 mil por pessoa

As investigações apontam a existência de uma estrutura criminosa organizada para facilitar o deslocamento dos cubanos.

De acordo com a PRF, os chamados coiotes chegam a cobrar cerca de US$ 10 mil por pessoa, valor equivalente a aproximadamente R$ 51 mil.

O pacote inclui transporte terrestre, travessias de fronteira, hospedagens temporárias e deslocamentos internos dentro do Brasil.

Leia mais: PRF apreende roupas da seleção e perfumes suspeitos de falsificação na BR-174

Desde o início do ano, 16 suspeitos de atuar nesse esquema foram presos.

“Existe uma rede bem coordenada que envolve brasileiros, guianenses e cubanos, que organizam toda a viagem”, afirmou Isaías Magalhães, chefe de comunicação da PRF em Roraima.

Segundo ele, o transporte clandestino se tornou uma atividade altamente lucrativa. Em alguns casos, veículos projetados para cinco ocupantes transportam até 12 pessoas por viagem.

A estimativa é que cada deslocamento possa render entre R$ 10 mil e R$ 15 mil aos envolvidos.

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Operação investiga rede internacional

Diante do aumento dos casos, a Polícia Federal lançou a Operação Conexão Norte para identificar integrantes da organização suspeita de promover migração ilegal.

A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em Boa Vista e também na cidade de Bonfim, considerada uma das principais portas de entrada da rota.

As investigações apontam para uma atuação integrada entre brasileiros, cubanos e guianenses responsáveis por organizar todas as etapas da viagem.

Embora ninguém tenha sido preso durante a operação mais recente, os investigadores afirmam que o grupo segue sob monitoramento.

Migrantes relatam crise em Cuba

Entre os motivos que impulsionam a saída de cubanos está o agravamento da crise econômica e social no país caribenho.

A cubana Beatriz, de 29 anos, relatou que deixou sua terra natal em busca de melhores condições de vida.

“Cuba tem muitos problemas. Não tem luz, água, gás, comida, os preços estão altos e o salário não alcança”, afirmou.

O país enfrenta uma grave crise energética que tem provocado apagões frequentes, redução de serviços públicos e dificuldades no abastecimento básico.

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O objetivo de muitos migrantes é chegar às regiões Sul e Sudeste do Brasil em busca de oportunidades de trabalho e renda.

Acidentes e abandono marcam a rota

As tentativas de escapar da fiscalização têm tornado o percurso ainda mais perigoso.

Segundo a PRF, motoristas frequentemente abandonam a rodovia principal e entram em estradas vicinais em alta velocidade quando percebem a aproximação de equipes policiais.

O resultado tem sido o aumento de acidentes.

Neste ano, dois cubanos morreram após o capotamento de um veículo que tentava fugir da fiscalização.

Nos últimos dias, investigadores também identificaram uma nova estratégia dos coiotes: abandonar os migrantes a cerca de dez quilômetros de Boa Vista para reduzir o risco de prisão.

Resgate humanitário expõe situação crítica

Durante a Operação Rota Segura, realizada nesta semana, policiais encontraram dezenas de cubanos vivendo em condições precárias em uma residência utilizada como ponto de apoio na cidade de Cantá.

No local foram localizadas 61 pessoas aguardando transporte ou passagens para outros estados brasileiros.

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Em outra ação, a PRF encontrou 47 migrantes — entre crianças, idosos e adultos — em situação de vulnerabilidade extrema.

Muitos relataram estar sem alimentação adequada havia pelo menos dois dias.

Ao todo, 108 cubanos foram resgatados durante a operação, considerada a maior ação humanitária já realizada pela corporação em Roraima.

Cinco brasileiros suspeitos de atuar como coiotes foram presos em flagrante.

Brasil registra aumento nos pedidos de refúgio

O crescimento do fluxo migratório também aparece nos números oficiais.

Dados do Ministério da Justiça apontam que 41,9 mil cubanos solicitaram refúgio no Brasil em 2025, quase o dobro dos 22,3 mil pedidos registrados no ano anterior.

Em 2026, já foram contabilizadas 13,4 mil solicitações.

Especialistas afirmam que a geografia da região amazônica, aliada à facilidade de deslocamento entre Guiana, Suriname e Brasil, ajuda a explicar o crescimento da rota.

Além disso, o país continua sendo visto por muitos migrantes como uma das poucas nações da região que oferece mecanismos de regularização enquanto os pedidos de refúgio são analisados pelas autoridades.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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