Presidente da Câmara de Canutama é notificado pelo MP-AM após supostas irregularidades em cargos da Casa
O procedimento também cita entendimento STF, que estabelece critérios de proporcionalidade e razoabilidade na criação desses cargos.
- Foto: Divulgação
Resumo
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) converteu uma Notícia de Fato em Inquérito Civil para investigar possíveis irregularidades na estrutura de pessoal da Câmara Municipal de Canutama. A apuração envolve cargos comissionados ocupados em funções consideradas técnicas, operacionais e administrativas, o que pode contrariar dispositivos da Constituição Federal e entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação tem como foco a criação e manutenção de cargos comissionados destinados ao desempenho de atividades consideradas técnicas, operacionais e administrativas, como as funções de auxiliar de serviços gerais, copeira e tesoureiro.
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MP aponta possível afronta à Constituição
De acordo com a portaria assinada pela promotora de Justiça Maria Cynara Rodrigues Cavalcante, os indícios analisados apontam para possível descumprimento das normas constitucionais que determinam que cargos em comissão sejam destinados exclusivamente a atividades de direção, chefia e assessoramento. O procedimento também leva em consideração entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece critérios de proporcionalidade e razoabilidade para a criação e ocupação desses cargos na administração pública.
Recomendação foi rejeitada pela Câmara
Antes da abertura do inquérito, o Ministério Público havia expedido uma recomendação orientando a Câmara Municipal de Canutama a promover adequações em sua estrutura funcional e realizar a exoneração dos cargos considerados incompatíveis com a legislação. Em resposta, o Legislativo municipal informou que os cargos questionados estariam respaldados por norma interna aprovada pela própria Câmara e alegou dificuldades orçamentárias para promover alterações imediatas na estrutura administrativa. Diante da negativa, o MP decidiu ampliar a investigação por meio da instauração formal do Inquérito Civil.
TAC poderá ser discutido entre MP e Câmara
Como parte das medidas adotadas, o Ministério Público determinou a realização de uma audiência extrajudicial com a presidência da Câmara Municipal de Canutama. O encontro deverá discutir a possibilidade de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), instrumento que poderá estabelecer prazos e obrigações para adequação do quadro de pessoal às exigências constitucionais.
Entre os pontos que poderão integrar o acordo estão a exoneração gradual dos cargos considerados irregulares e a adoção de medidas voltadas à realização de concurso público.
A portaria também determina a comunicação formal da Câmara Municipal sobre a conversão do procedimento em Inquérito Civil e a publicação oficial da medida no Diário Oficial do Ministério Público.
Com a instauração do inquérito, o MPAM passará a reunir novas informações e documentos para avaliar a regularidade da estrutura administrativa do Legislativo municipal e eventual necessidade de adoção de medidas judiciais ou extrajudiciais para corrigir possíveis irregularidades.
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