Ex-secretária e veterinários são presos por suspeita de eutanásias irregulares em animais resgatados
Polícia Civil apura se animais resgatados eram sacrificados sem necessidade enquanto campanhas de arrecadação continuavam sendo divulgadas nas redes sociais.

Foto: Reprodução
Resumo
A segunda fase da Operação Carrasco resultou na prisão de uma ex-secretária de Bem-Estar Animal e de dois médicos-veterinários suspeitos de integrar um esquema que teria realizado eutanásias sem justificativa adequada em cães e gatos resgatados. As investigações apontam ainda possíveis desvios de recursos arrecadados por meio de campanhas de doação destinadas, supostamente, ao tratamento de animais que, segundo a polícia, já haviam sido encaminhados para eutanásia.
Notícias do Brasil – A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta segunda-feira (15/06) a segunda fase da Operação Carrasco e prendeu preventivamente a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, além de dois médicos-veterinários investigados por participação em um suposto esquema envolvendo eutanásias irregulares de cães e gatos resgatados.
Segundo as autoridades, os animais eram submetidos à eutanásia mesmo em situações nas quais ainda existiriam alternativas de tratamento, o que levantou suspeitas sobre a atuação dos envolvidos e motivou o aprofundamento das investigações.
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Polícia aponta eutanásias sem confirmação de diagnóstico
De acordo com a Polícia Civil, um dos episódios investigados envolve uma cadela que apresentava suspeita de cinomose. Conforme os relatos reunidos durante a investigação, uma veterinária teria questionado se o teste para confirmação da doença seria realizado antes de qualquer decisão.
Ainda segundo os investigadores, a orientação atribuída à ex-secretária foi para que a eutanásia fosse realizada sem a confirmação diagnóstica.
A suspeita é de que outros casos semelhantes tenham ocorrido ao longo dos últimos anos, embora o número exato de animais afetados ainda esteja sendo apurado.
Investigação apura arrecadações via Pix
Além das suspeitas relacionadas às eutanásias, a ex-secretária também é investigada por possíveis irregularidades envolvendo campanhas de arrecadação financeira realizadas por meio de Pix.
Segundo a polícia, em um dos casos analisados, enquanto a eutanásia de um animal teria sido autorizada internamente, publicações nas redes sociais continuavam solicitando doações para custear um tratamento que, segundo as investigações, não chegou a ocorrer.
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Para os investigadores, a situação levanta suspeitas sobre a utilização dos recursos arrecadados junto à população.
Mais de R$ 670 mil teriam sido arrecadados
As investigações apontam que a atuação do grupo estaria ocorrendo desde 2020. Conforme os dados reunidos pela polícia, teriam sido realizadas 549 campanhas de arrecadação, que somaram R$ 672.670,39 em contribuições feitas por 14.545 pessoas.
A delegada Luciane Bertoletti afirmou que a polícia busca agora localizar registros de microchips e documentos relacionados aos animais desaparecidos para identificar quantos deles teriam sido submetidos à eutanásia sem necessidade.
Operação apreendeu equipamentos e um cão debilitado
Além das três prisões preventivas, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, os agentes recolheram celulares, computadores e outros materiais considerados importantes para o avanço das investigações.
Um cão debilitado, sem as patas dianteiras, também foi encontrado e apreendido. Segundo a polícia, o animal era utilizado em campanhas de arrecadação divulgadas nas redes sociais.
CRMV e Prefeitura se manifestam
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) informou que solicitará acesso ao inquérito policial para analisar a participação dos profissionais investigados e adotar as medidas administrativas cabíveis.
Já a Prefeitura de Canoas destacou que Paula Lopes não integra mais o quadro de servidores municipais desde julho de 2025 e afirmou que vem colaborando com as investigações desde o surgimento das denúncias.
A administração municipal também ressaltou que grande parte dos fatos investigados estaria relacionada à atuação da ex-secretária em atividades particulares vinculadas a uma entidade privada.
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