Sinpol-AM repudia fala de Lula sobre delegacias e acusa presidente de desrespeitar policiais civis
Entidade amazonense reage a declaração do petista sobre receio da população em procurar delegacias para devolver celulares roubados.
- Foto: reprodução
Resumo
O Sindicato dos Policiais Civis do Amazonas (Sinpol-AM) divulgou nota de repúdio contra declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre delegacias e policiais civis. A entidade classificou a fala como desrespeitosa e afirmou que os profissionais da categoria merecem reconhecimento pelo trabalho realizado no combate à criminalidade.
Notícias do Amazonas – Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre delegacias e policiais civis provocou forte reação de entidades da segurança pública. No Amazonas, o Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol-AM) divulgou uma nota de repúdio e classificou as declarações do chefe do Executivo federal como desrespeitosas aos profissionais que atuam diariamente no combate à criminalidade.
A manifestação ocorreu após Lula afirmar, durante um evento oficial do governo federal, que parte da população teria receio de procurar delegacias para devolver celulares roubados por não saber “o tipo de delegado” ou “o tipo de policial” que poderia encontrar.
A fala gerou críticas de representantes da categoria em diferentes estados e motivou uma resposta pública do sindicato amazonense, que considerou a declaração inadequada e ofensiva aos servidores da Polícia Civil.
O que disse Lula
A declaração foi feita durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, ocasião em que o presidente apresentou medidas relacionadas ao programa federal de recuperação de celulares roubados ou furtados.
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A proposta do governo prevê o envio de notificações para aparelhos com registro de roubo, informando aos atuais portadores sobre a situação irregular do equipamento e incentivando sua devolução.
Durante a apresentação da iniciativa, Lula defendeu que os aparelhos possam ser entregues em unidades dos Correios.
Ao explicar a medida, afirmou que muitas pessoas não se sentiriam confortáveis em procurar uma delegacia.
“Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho para quem tiver com o telefone roubado devolver, porque senão pode ter consequências. A dúvida é que eu não quero devolver na delegacia, eu quero devolver no correio. Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, declarou o presidente.
A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e entre entidades ligadas à segurança pública.
Lula insinua que delegados e policiais são criminosos ao lançar programa “Celular Seguro”, que visa acobertar criminosos que cometeram receptação.
Durante o anúncio do programa “Celular Seguro”, na última sexta-feira (12), o ex-condenado Luiz Inácio Lula da Silva levantou… pic.twitter.com/1a2OraVyae
— Guilherme Todeschini (@guitodeschini) June 15, 2026
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Sinpol-AM divulga nota de repúdio
Em nota oficial, o Sindicato dos Policiais Civis do Amazonas afirmou que as declarações do presidente representam um desrespeito aos profissionais da categoria.
A entidade destacou que os policiais civis exercem papel fundamental na investigação criminal e na proteção da sociedade.
“O Sindicato vem a público repudiar as declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre os policiais civis, por entender que elas desrespeitam os profissionais que diariamente dedicam suas vidas ao combate à criminalidade e à proteção da sociedade”, afirmou o Sinpol-AM.
O sindicato também ressaltou que a Polícia Civil é formada por profissionais comprometidos com a legalidade e com a defesa da população.
“O SINPOL-AM reafirma que a Polícia Civil é composta por homens e mulheres comprometidos com a legalidade, a investigação e a defesa da população, merecendo reconhecimento e respeito. A Polícia Civil merece respeito”, acrescentou a entidade.
Presidente do sindicato chama fala de “irresponsável”
A reação não ficou restrita à nota institucional.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente do Sinpol-AM, Jaime Lopes, endureceu o tom das críticas e classificou a declaração presidencial como inadequada.
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Segundo ele, as palavras de Lula atingem diretamente a imagem dos policiais civis perante a sociedade.
“O SINPOL-AM vem a público repudiar de forma veemente a fala irresponsável e desrespeitosa feita pelo presidente da República em desfavor dos policiais civis”, afirmou Jaime Lopes.
Para o dirigente sindical, generalizações sobre o trabalho policial contribuem para enfraquecer a confiança da população nas instituições responsáveis pela investigação criminal.
Programa federal busca ampliar recuperação de celulares
A polêmica surgiu durante a apresentação de uma estratégia do governo federal para aumentar a recuperação de aparelhos celulares roubados ou furtados.
O plano prevê o rastreamento de dispositivos registrados em sistemas oficiais e o envio de mensagens alertando os atuais usuários sobre a origem ilícita do aparelho.
A proposta tem como objetivo reduzir o mercado ilegal de celulares e estimular a devolução dos equipamentos.
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Durante o mesmo discurso, Lula também comentou sobre o perfil dos consumidores que acabam adquirindo aparelhos de procedência irregular.
Segundo o presidente, pessoas de menor renda podem ser atraídas pelos preços mais baixos praticados no mercado clandestino.
Debate amplia tensão entre governo e categorias da segurança
A reação do Sinpol-AM reflete um clima de insatisfação entre representantes da segurança pública diante das declarações presidenciais.
Para os sindicatos, o discurso acaba atingindo uma categoria que atua diariamente em investigações, operações policiais e no enfrentamento à criminalidade.
Já o governo federal sustenta que a proposta de devolução por meio dos Correios busca facilitar o acesso da população ao programa de recuperação de celulares.
Enquanto a discussão sobre a medida continua, a fala do presidente ampliou o debate sobre a relação entre a população, as forças policiais e as estratégias adotadas pelo governo para combater crimes patrimoniais no país.
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