PF aponta uso de fuzis, blindados e grupo paramilitar ligado à família Vorcaro
Relatório revela que estrutura armada teria sido utilizada para monitorar adversários e proteger interesses econômicos do grupo.
- Foto: Divulgação
Resumo
A Polícia Federal identificou indícios de que uma organização armada ligada à família Vorcaro utilizava fuzis, veículos blindados e estrutura semelhante à de grupos paramilitares. Segundo a investigação, o aparato era comandado por um operador do jogo do bicho e teria sido empregado para proteger interesses do banqueiro Daniel Vorcaro e intimidar desafetos.
Notícias do Brasil – A Polícia Federal revelou novos detalhes sobre a investigação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Relatório tornado público nesta semana aponta que um grupo conhecido como “A Turma” contava com uma estrutura armada composta por fuzis, veículos blindados e equipes de segurança que atuariam em benefício dos interesses da família Vorcaro.
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As informações foram extraídas de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e fazem parte das apurações conduzidas pela PF. De acordo com os investigadores, o grupo realizava ações de monitoramento e intimidação contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro e de seu pai, Henrique Vorcaro.
Bicheiro seria responsável pela estrutura armada
Segundo a investigação, o operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues desempenhava papel central na manutenção da segurança do grupo. A Polícia Federal afirma ter encontrado indícios robustos de que ele liderava uma organização fortemente armada no Rio de Janeiro.
O relatório descreve a utilização de armamentos de grosso calibre, incluindo fuzis, além de veículos blindados e outros recursos normalmente associados a estruturas paramilitares.
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Aparato teria servido aos interesses da família
Os investigadores afirmam que a estrutura armada era colocada à disposição dos interesses econômicos e empresariais ligados à família Vorcaro. A PF relata situações em que pessoas envolvidas em reuniões ou negociações teriam sido recebidas por homens armados e escoltadas por veículos blindados. De acordo com o documento, em vez de transmitir segurança, a presença do aparato militarizado provocava temor entre os participantes dos encontros.
Relato compara ambiente à “Rússia do Putin”
Um dos episódios citados pela Polícia Federal envolve uma reunião em que visitantes teriam ficado intimidados diante do esquema de segurança montado. Segundo os relatos reunidos pelos investigadores, algumas pessoas compararam o ambiente à “Rússia do Putin”, numa referência ao forte aparato militar e ao elevado poder de fogo observado no local. A PF destaca ainda que alguns participantes demonstraram extremo receio durante os encontros promovidos pelo grupo.
Investigação também aborda repasses após morte de integrante
O relatório também menciona a atuação de Manoel Mendes Rodrigues em negociações e repasses financeiros destinados à família de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, após sua morte.
Segundo a Polícia Federal, mensagens interceptadas mostram cobranças feitas por familiares de Luiz Phillipi a Henrique Vorcaro. Em uma das conversas, a irmã do homem afirma possuir documentos capazes de comprometer integrantes do grupo e exige assistência financeira. Os investigadores sustentam que transferências teriam sido autorizadas para evitar novos desdobramentos relacionados às informações que estavam em posse da família.
Na avaliação da Polícia Federal, Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão e outros integrantes atuavam de forma articulada em ações voltadas ao acesso de informações protegidas e à pressão sobre pessoas consideradas de interesse do grupo. O conjunto de elementos reunidos pela investigação levou os agentes a classificarem a estrutura como uma espécie de milícia privada voltada à proteção dos interesses ligados ao empresário e ao Banco Master.
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