PF aponta que Vorcaro bancou hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa
Relatório enviado ao STF cita despesas bancadas por dono do Banco Master durante viagem à capital portuguesa em 2024.
- Foto: reprodução
Resumo
A Polícia Federal informou ao STF que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, custeou despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira durante viagem a Lisboa, em junho de 2024. Segundo a investigação, cada hospedagem teria custado cerca de R$ 90 mil. A PF também identificou outras despesas de viagens atribuídas a Ciro Nogueira, que somariam mais de R$ 468 mil.
Notícias do Brasil – Um relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria custeado despesas de hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante uma viagem realizada a Lisboa, em Portugal, em junho de 2024.
As informações foram extraídas de mensagens encontradas no celular do empresário durante investigações conduzidas pela corporação. O material passou a integrar os autos encaminhados ao STF no âmbito da mesma apuração que resultou em medidas de busca e apreensão envolvendo o senador piauiense.
Hugo Motta não foi alvo de diligências no caso.
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Conversas indicam reserva de suítes para parlamentares
De acordo com o relatório policial, investigadores localizaram diálogos entre Vorcaro e um funcionário responsável pela organização logística da viagem. Nas mensagens, o banqueiro teria solicitado a reserva de hospedagens para ele próprio e para outras duas pessoas identificadas como “Ciro e Hugo”.
A PF afirma que os nomes mencionados fazem referência ao senador Ciro Nogueira e ao deputado Hugo Motta.
Segundo os investigadores, foram reservadas suítes do tipo “junior suite” em um hotel de luxo localizado na capital portuguesa. A hospedagem teria duração de cinco diárias, entre os dias em que ocorreu um dos mais conhecidos eventos jurídicos do país realizado anualmente em Lisboa.
O período coincide com a realização do fórum promovido pelo ministro do STF Gilmar Mendes, encontro que reúne autoridades, juristas, empresários e representantes do setor público.
Custo estimado chega a R$ 90 mil por hospedagem
A análise dos documentos apreendidos indica que cada reserva teria alcançado valor aproximado de R$ 90 mil, considerando a cotação do euro vigente à época da viagem.
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Os investigadores destacam que os pagamentos relacionados à hospedagem teriam sido determinados diretamente pelo empresário.
A informação passou a integrar o conjunto de elementos reunidos pela Polícia Federal para avaliar possíveis relações entre benefícios concedidos pelo banqueiro e interesses políticos ou legislativos.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente sobre o conteúdo das conclusões apresentadas pela PF.
Hugo Motta afirma estar tranquilo sobre apuração
Após a divulgação das informações, Hugo Motta declarou que acompanha as investigações com tranquilidade e defendeu que os órgãos responsáveis realizem a apuração de forma técnica e imparcial.
O parlamentar afirmou que sempre exerceu o mandato com responsabilidade e ressaltou que confia no trabalho das instituições encarregadas da investigação.
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A manifestação ocorreu após questionamentos de jornalistas sobre as despesas apontadas pela Polícia Federal.
Investigação também aponta outras viagens de Ciro Nogueira
Além da hospedagem em Lisboa, a Polícia Federal identificou outras despesas atribuídas ao senador Ciro Nogueira em viagens internacionais realizadas nos últimos anos.
Segundo o relatório, foram encontrados registros de gastos relacionados a deslocamentos para cidades como Paris, Nova York e Courchevel, tradicional estação de esqui localizada nos Alpes Franceses.
Os investigadores calculam que os custos associados a essas viagens somam aproximadamente R$ 468,7 mil.
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O valor não inclui despesas com voos privados que, segundo a PF, teriam ocorrido em pelo menos três deslocamentos internacionais, além de viagens realizadas dentro dos Estados Unidos.
PF investiga possível relação entre benefícios e atuação parlamentar
A apuração também busca esclarecer se houve contrapartidas políticas ou legislativas relacionadas aos benefícios recebidos.
No relatório enviado ao STF, a Polícia Federal menciona a hipótese de que projetos de lei teriam sido apresentados em favor de interesses ligados ao controlador do Banco Master.
Os investigadores analisam documentos, mensagens e registros financeiros para verificar a existência de eventual vínculo entre as despesas custeadas e a atuação parlamentar.
O caso segue sob análise das autoridades competentes e poderá resultar em novas diligências à medida que a investigação avance.
Enquanto isso, os dados reunidos pela Polícia Federal permanecem sob avaliação do Supremo Tribunal Federal, que acompanha os desdobramentos do inquérito envolvendo o empresário e agentes públicos citados na investigação.
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