Banco da Amazônia sofre calote de R$ 39 milhões após liquidação do Banco Master
Instituição federal havia investido em letras financeiras sem garantia e não recebeu pagamento após vencimento dos títulos

FOTO: Divulgação
Resumo
O Banco da Amazônia (Basa) tornou-se a primeira instituição pública a sofrer prejuízo direto após a liquidação do Banco Master. A instituição federal deixou de receber R$ 39 milhões investidos em letras financeiras emitidas pelo banco de Daniel Vorcaro, que teve a liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Notícias do Brasil – O Banco da Amazônia (Basa) sofreu um calote de R$ 39 milhões após o vencimento de letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Os títulos venceram na primeira semana de junho, mas não foram quitados em razão da liquidação da instituição financeira determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.
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Os investimentos foram realizados entre abril e junho de 2024, quando o Basa adquiriu duas letras financeiras nos valores de R$ 25 milhões e R$ 14 milhões. Em contrapartida, o Banco Master se comprometeu a devolver os recursos com rendimento equivalente a 122% do CDI após dois anos.
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Títulos venceram sem pagamento
A última das letras financeiras venceu no dia 5 de junho deste ano. Como o Banco Master já estava em processo de liquidação, o pagamento não foi realizado.
As letras financeiras funcionam como uma espécie de empréstimo feito pelos investidores aos bancos emissores. Em troca, a instituição se compromete a devolver o valor aplicado acrescido de juros na data de vencimento.
No caso do Basa, os títulos adquiridos não possuíam garantias adicionais, o que reduz as chances de recuperação integral dos recursos investidos.
Banco afirma ter adotado medidas judiciais
Em nota, o Banco da Amazônia informou que já adotou todas as providências administrativas e jurídicas cabíveis para resguardar seus direitos creditórios.
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A instituição destacou ainda que atua com responsabilidade e em conformidade com as normas do Sistema Financeiro Nacional.
Quando reconheceu a exposição ao Banco Master, em novembro de 2025, o Basa afirmou que os R$ 39 milhões representavam menos de 0,19% dos cerca de R$ 20,3 bilhões administrados por sua tesouraria.
Recuperação dos recursos é incerta
Especialistas apontam que, por não possuírem garantias, as letras financeiras adquiridas pelo Basa deverão ser enquadradas na categoria de créditos quirografários, sem prioridade no processo de liquidação.
Outras entidades que investiram em títulos semelhantes já passaram a contabilizar perdas totais dos valores aplicados. Entre elas estão institutos de previdência municipais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que também enfrentam dificuldades para recuperar os recursos investidos no Banco Master.
Caso segue na Justiça
Diversos investidores públicos têm recorrido ao Judiciário em busca de recuperar os valores aplicados no Banco Master.
Enquanto alguns processos conseguiram decisões favoráveis para bloqueio de recursos, outros pedidos foram negados pela Justiça.
O processo de liquidação da instituição financeira segue em andamento e deverá definir a ordem de pagamento dos credores e a possibilidade de recuperação dos ativos.
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