Rumble e empresa ligada a Trump pedem julgamento à revelia de Alexandre de Moraes em ação nos Estados Unidos
Plataformas alegam que ministro do STF foi notificado pela Justiça americana e não apresentou defesa dentro do prazo estabelecido.
- Foto: STF
Resumo
As empresas Rumble e Trump Media solicitaram à Justiça Federal da Flórida que o ministro Alexandre de Moraes seja julgado à revelia em uma ação movida nos Estados Unidos. As companhias afirmam que o magistrado foi notificado e não respondeu ao processo. O caso amplia a disputa jurídica envolvendo decisões do STF e o alcance de ordens judiciais brasileiras em plataformas digitais estrangeiras.
Notícias do Brasil – Uma nova etapa da disputa judicial entre plataformas digitais norte-americanas e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou destaque nesta semana. As empresas Rumble e Trump Media & Technology Group protocolaram pedido na Justiça Federal dos Estados Unidos para que o magistrado brasileiro seja declarado em revelia no processo movido contra ele na Flórida.
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O requerimento foi apresentado após as empresas alegarem que Moraes não apresentou resposta formal à ação dentro do prazo estabelecido pelo tribunal norte-americano. Caso o pedido seja aceito, o processo poderá avançar sem manifestação da defesa do ministro, abrindo caminho para uma eventual decisão judicial baseada exclusivamente nos argumentos apresentados pelas autoras da ação.
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O episódio adiciona um novo capítulo às tensões jurídicas envolvendo decisões do STF relacionadas à atuação de plataformas digitais, moderação de conteúdo e cumprimento de ordens judiciais brasileiras por empresas sediadas no exterior.
O que aconteceu no processo contra Alexandre de Moraes?
Segundo os documentos apresentados pelas empresas à Justiça dos Estados Unidos, Alexandre de Moraes teria sido formalmente notificado sobre a ação por meio eletrônico após autorização judicial.
As companhias sustentam que realizaram diversas tentativas de comunicação utilizando mecanismos previstos em tratados internacionais antes de recorrerem à notificação por e-mail. Após a autorização da corte americana, os documentos foram enviados para endereços eletrônicos vinculados ao Supremo Tribunal Federal.
Com o encerramento do prazo processual sem resposta registrada nos autos, as empresas solicitaram que o magistrado seja considerado revel, instituto jurídico utilizado quando uma das partes não apresenta defesa dentro do período legal estabelecido.
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Qual é a origem da ação judicial?
O processo foi protocolado nos Estados Unidos em fevereiro deste ano e envolve questionamentos sobre decisões judiciais brasileiras que atingiram a plataforma de vídeos Rumble. As empresas argumentam que determinações emitidas por Moraes relacionadas à remoção de perfis e conteúdos teriam produzido efeitos em território norte-americano, afetando usuários e serviços protegidos pela legislação dos Estados Unidos.
Entre os pontos centrais da ação está a discussão sobre os limites da jurisdição internacional e a aplicação de decisões judiciais de um país sobre empresas que operam em outro território.
A Trump Media, controladora da rede social Truth Social, também integra o processo. Embora não tenha sido alvo direto das determinações do STF, a empresa afirma que depende da infraestrutura tecnológica fornecida pela Rumble para parte de suas operações.
O que significa um julgamento à revelia?
Na prática, um julgamento à revelia não representa automaticamente vitória da parte autora da ação. Mesmo diante da ausência de defesa, o tribunal continua obrigado a analisar os argumentos apresentados e verificar se existem fundamentos jurídicos suficientes para acolher os pedidos formulados no processo.
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Caso a Justiça americana reconheça a revelia, a ação seguirá para novas fases processuais, nas quais os autores poderão buscar uma decisão favorável sem que haja contestação formal apresentada pelo ministro brasileiro.
Especialistas em direito internacional observam que processos envolvendo autoridades estrangeiras costumam apresentar elevada complexidade jurídica, especialmente quando envolvem temas relacionados à soberania nacional e imunidade de jurisdição.
Qual é a posição do governo brasileiro?
A Advocacia-Geral da União (AGU) já se manifestou no caso e pediu à Justiça norte-americana a suspensão da ação.
O principal argumento apresentado pelo órgão é que Alexandre de Moraes agiu no exercício regular de suas funções como integrante do Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, segundo a AGU, suas decisões estariam protegidas por princípios internacionais relacionados à imunidade de jurisdição de agentes estatais.
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A tese sustenta que atos praticados por magistrados no desempenho de suas atribuições institucionais não deveriam ser submetidos à análise de tribunais estrangeiros.
Essa discussão deverá ser um dos pontos centrais das próximas etapas do processo.
O que está em debate além do caso Moraes?
Embora tenha como foco imediato as decisões atribuídas ao ministro do STF, o processo possui potencial para gerar reflexos mais amplos sobre a atuação de plataformas digitais em escala global.
O debate envolve temas como:
- Liberdade de expressão em ambientes digitais;
- Limites da atuação de autoridades nacionais sobre plataformas internacionais;
- Cumprimento de ordens judiciais transnacionais;
- Responsabilidade das redes sociais;
- Jurisdição em ambiente digital globalizado.
Juristas acompanham o caso por entenderem que eventual decisão poderá influenciar futuras disputas envolvendo empresas de tecnologia, governos e tribunais em diferentes países.
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