PF investiga se executivos de Itaú, Bradesco e Santander ajudaram a ocultar dívida bilionária das Americanas
Nova fase da Operação Disclosure apura se representantes de bancos tinham conhecimento das irregularidades contábeis que resultaram no rombo bilionário da varejista.

FOTO: Igo Estrela
Resumo:
- Nova investigação: A Polícia Federal apura a atuação de executivos do Itaú, Bradesco e Santander.
- Suspeita: Bancos teriam ajudado a ocultar o verdadeiro endividamento da Americanas.
- Operação: PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
- Bloqueio: Justiça autorizou o sequestro de bens de até R$ 54 bilhões dos investigados.
Notícias do Brasil – A Polícia Federal ampliou as investigações sobre a fraude contábil nas Americanas e passou a apurar a possível participação de executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander no esquema que ocultou o endividamento bilionário da companhia.
A apuração faz parte da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (25), que agora vai além da antiga diretoria da varejista.
Leia também: PF mira executivos de Itaú, Bradesco e Santander em nova fase da investigação da fraude bilionária da Americanas
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Qual é a suspeita contra os bancos?
Segundo a PF, os investigadores querem esclarecer se representantes das instituições financeiras tinham conhecimento das irregularidades envolvendo operações de risco sacado, modalidade de crédito utilizada para antecipar pagamentos a fornecedores.
De acordo com a investigação, essas operações podem ter sido registradas de forma inadequada, reduzindo artificialmente a percepção do endividamento da empresa nos balanços financeiros.
Quem são os investigados?
Entre os alvos da nova fase da operação estão executivos ligados ao Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes da administração da Americanas.
Também são investigados:
- Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da companhia;
- Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann;
- Eduardo Saggioro, ex-integrante do conselho;
- Sérgio Rial, ex-CEO da Americanas e ex-presidente do Santander.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Por que a Justiça bloqueou R$ 54 bilhões?
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
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Segundo a decisão, o valor corresponde à estimativa do prejuízo provocado pelas supostas fraudes identificadas durante a investigação.
O que apontam as investigações?
Além das operações de risco sacado, a PF também investiga possíveis irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPC).
Os investigadores suspeitam da existência de contratos sem lastro econômico efetivo utilizados para alterar demonstrações financeiras da empresa.
A nova fase da operação foi fortalecida por provas reunidas desde 2024, incluindo a colaboração premiada do ex-diretor financeiro Fábio Abrate.
Em depoimento ao Ministério Público Federal, ele afirmou que informações sobre operações de risco sacado eram retiradas de documentos relacionados aos balanços da companhia. Os bancos negam qualquer participação em irregularidades.
O que diz a Americanas?
Em nota, a Americanas informou que não foi alvo das buscas realizadas nesta nova fase da Operação Disclosure.
A empresa afirmou ainda que continuará colaborando com as autoridades durante o andamento das investigações.
Contexto
O caso Americanas é considerado uma das maiores fraudes contábeis da história do mercado financeiro brasileiro. Revelado em 2023, o rombo bilionário levou a companhia a entrar em recuperação judicial e desencadeou investigações da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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