PEC do fim da escala 6×1 divide empresários, sindicatos e governo em debate no Senado
Audiência pública reuniu representantes de trabalhadores, empresários e governo para discutir a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.

FOTO: Lula Marques/Agência Brasil.
Resumo
O que aconteceu? O Senado realizou uma audiência pública para debater a PEC que acaba com a escala 6×1.
Quem é contra? Empresários e parlamentares da oposição afirmam que a proposta aumenta custos e pode afetar a economia.
Quem defende? Sindicatos e representantes do governo argumentam que a medida melhora a qualidade de vida dos trabalhadores e tem impacto econômico limitado.
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O que prevê a PEC? A proposta reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso, sem redução salarial.
Notícias do Brasil – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 foi tema de uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (1º) no plenário do Senado Federal. O debate reuniu representantes do governo, empresários, centrais sindicais e parlamentares, que apresentaram posições divergentes sobre os impactos da medida.
A proposta está há mais de um mês aguardando análise na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Leia também: Alvo de críticas por travar a PEC da escala 6×1, Davi Alcolumbre curte Festival de Parintins
O que prevê a PEC do fim da escala 6×1?
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados estabelece:
- Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
- Dois dias de descanso por semana;
- Manutenção dos salários dos trabalhadores;
- Prazo de 60 dias para extinguir a escala 6×1;
- Período de transição de 14 meses para implantação da nova carga horária.
Por que empresários criticam a proposta?
Representantes dos setores do comércio, indústria e transporte afirmaram que a PEC pode elevar os custos das empresas e reduzir a competitividade da economia.
O presidente da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), Ivo Dall’Acqua, defendeu que a prioridade do país deve ser aumentar a produtividade antes de reduzir a jornada de trabalho.
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Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pediu que a votação da proposta ocorra somente após as eleições e defendeu maior liberdade para negociações entre empregadores e trabalhadores.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) também sugeriu uma transição mais longa para adaptação das empresas.
Governo e sindicatos defendem redução da jornada
Representantes do governo federal e das centrais sindicais afirmaram que os impactos econômicos da proposta são administráveis e comparáveis aos reajustes do salário mínimo registrados nos últimos anos.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou que o aumento dos afastamentos por problemas de saúde mental e doenças relacionadas ao trabalho reforça a necessidade de reduzir a carga de trabalho.
Segundo ele, trabalhadores mais descansados tendem a apresentar maior produtividade.
Debate também aborda qualidade de vida
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, afirmou que a redução da jornada representa um avanço histórico para garantir mais tempo de convivência familiar, estudos e lazer.
Já o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, defendeu que os ganhos econômicos das últimas décadas sejam compartilhados com os trabalhadores e citou medidas do governo para fortalecer micro e pequenas empresas durante a transição.
Proposta segue em discussão
Após a audiência pública, a PEC continua em tramitação no Senado Federal. Ainda não há data definida para que a proposta seja analisada pelos senadores.
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