Prefeitura de Anamã pode pagar meio milhão de reais por não garantir água potável à população
Promotoria afirma que Prefeitura de Anamã não comprovou as obras e o cronograma exigidos para regularizar o tratamento e a distribuição.
- Foto: Divulgação
Resumo
- O MPAM pediu à Justiça que cobre o cumprimento de sentença para garantir água potável em Anamã.
- A ação aponta que o município não comprovou a execução do acordo para regularizar o abastecimento.
- A decisão judicial determina sistema de tratamento e distribuição de água dentro dos padrões sanitários.
- O município foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além de multa em caso de descumprimento.
Notícias do Amazonas – O Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça de Anamã, pediu o prosseguimento do cumprimento de sentença que obriga o município a implantar um sistema adequado de tratamento e distribuição de água.
A manifestação foi apresentada pelo promotor de Justiça Matheus de Oliveira Santana após o órgão apontar que a Prefeitura de Anamã, sob gestão de Karla Dantas, não ter aprovado o cumprimento das obrigações previstas em acordo firmado durante o processo.
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Segundo o MPAM, a documentação enviada pelo município não permite confirmar quando as obras serão concluídas nem quando a população passará a receber água dentro dos padrões de potabilidade.
Quando começaram as denúncias sobre a qualidade da água em Anamã
A atuação da Promotoria começou em 2018, após denúncias de moradores sobre problemas na água distribuída na cidade. Na época, os relatos apontavam forte odor, coloração amarelada, sabor desagradável e suspeita de contaminação.
Durante a apuração, inspeções do MPAM constataram que a água retirada de poços artesianos era distribuída sem tratamento e sem exames físico-químicos regulares para verificar a qualidade.
Posteriormente, laudos laboratoriais apontaram que a água era imprópria para o consumo humano, segundo o Ministério Público.
O que a Justiça determinou para a Prefeitura de Anamã
Em março de 2020, o MPAM ajuizou a Ação Civil Pública nº 0000030-45.2020.8.04.2201 para exigir a implantação de uma estrutura de abastecimento e tratamento de água. Em dezembro de 2021, a Justiça julgou parcialmente procedentes os pedidos e determinou que o município implantasse um sistema capaz de fornecer água dentro dos padrões de potabilidade previstos na legislação sanitária.
A decisão também estabeleceu:
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- Implantação de sistema adequado de tratamento e distribuição de água;
- Fornecimento de água própria para consumo humano;
- Pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos;
- Aplicação de multa em caso de descumprimento das obrigações.
O que a Prefeitura de Anamã deixou de apresentar, segundo o MPAM
Na fase de cumprimento da sentença, Prefeitura e Ministério Público firmaram uma pactuação para viabilizar as obras. O compromisso previa a apresentação de um plano com cronograma detalhado, incluindo etapas, prazos e informações que permitissem acompanhar a execução do sistema de abastecimento.
Em manifestação protocolada em 22 de junho, o MPAM informou que o município alegou ter executado parte das obras, mas não apresentou um cronograma atualizado, específico e verificável.
Segundo a Promotoria, faltaram informações como:
- Etapas pendentes da obra;
- Prazos objetivos para conclusão;
- Responsáveis técnicos;
- Detalhamento das medidas necessárias para finalizar o sistema;
- Previsão concreta para entrega de água potável à população.
O que pode acontecer agora no processo sobre a água de Anamã
O MPAM pediu que a Justiça dê continuidade integral ao cumprimento da sentença e adote medidas executivas e coercitivas, inclusive em relação às multas previstas. O processo está concluso para decisão da juíza da Vara Única da Comarca de Anamã, que deverá definir os próximos passos para assegurar o cumprimento da ordem judicial.
A análise poderá resultar em novas cobranças formais ao município, definição de prazos, aplicação de penalidades ou outras providências para forçar a regularização do abastecimento.
Por que a regularização da água é urgente para os moradores de Anamã
Água tratada não é apenas uma obra de infraestrutura: é uma medida de saúde pública. O fornecimento de água sem tratamento adequado amplia o risco de doenças e afeta diretamente crianças, idosos e pessoas com condições de saúde mais vulneráveis. Em municípios do interior do Amazonas, onde o deslocamento para atendimento médico pode depender de viagens longas por rios, prevenir doenças relacionadas à água contaminada é ainda mais necessário.
Para a população de Anamã, a decisão judicial em andamento deve ser acompanhada de resultados verificáveis: obras concluídas, análises regulares da água e divulgação clara de quando o abastecimento passará a atender aos padrões exigidos para consumo humano.
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