Reserva financeira do Crea-AM encolheu mais de R$ 7,5 milhões durante gestão de Afonso Lins, apontam balanços oficiais
Documentos do Conselho revelam redução de 86,1% na reserva financeira, sucessivos déficits orçamentários e dependência de transferências externas para equilibrar as contas.
Resumo
Balanços patrimoniais e demonstrativos orçamentários do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) apontam que a reserva financeira da autarquia caiu mais de R$ 7,55 milhões entre dezembro de 2017 e dezembro de 2023. Os documentos também mostram que quatro dos seis exercícios da gestão de Afonso Lins terminaram com déficit orçamentário, enquanto os resultados positivos registrados em 2018 e 2022 ocorreram em contextos distintos, sendo o último influenciado por transferências extraordinárias do Sistema Confea/Crea.
Notícias do Amazonas – Os demonstrativos financeiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) revelam uma significativa redução da capacidade financeira da autarquia ao longo da gestão do engenheiro civil Afonso Lins. Conforme os balanços oficiais, a reserva financeira caiu de R$ 8,76 milhões, em dezembro de 2017, para R$ 1,21 milhão ao final de 2023, representando uma diminuição superior a R$ 7,55 milhões, equivalente a aproximadamente 86,1%.
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A documentação também evidencia que a maior parte dos exercícios analisados apresentou resultado orçamentário negativo. Entre 2018 e 2023, quatro dos seis exercícios foram encerrados com déficit, enquanto apenas 2018 e 2022 registraram superávit, segundo os demonstrativos oficiais.
Antes do início do segundo período de Afonso Lins na presidência, o Conselho mantinha uma situação financeira considerada confortável. Em dezembro de 2017, durante a administração do engenheiro Cláudio Guenka, o Crea-AM possuía mais de R$ 8,3 milhões em caixa e registrava reserva financeira de R$ 8,76 milhões.
Afonso Lins retornou ao comando da autarquia em 2018, após já ter presidido o Conselho entre 2003 e 2008. Sua segunda passagem compreendeu os mandatos de 2018 a 2020 e de 2021 a 2023. Em janeiro de 2024, a presidência foi assumida pela engenheira civil e professora Alzira Miranda, primeira mulher a ocupar o cargo em cinco décadas de existência do Crea-AM.
O exercício de 2018 foi encerrado com superávit aproximado de R$ 238 mil. Conforme os registros contábeis, o resultado positivo ocorreu em um cenário no qual a instituição ainda dispunha da elevada disponibilidade financeira acumulada na gestão anterior.
A partir de 2019, os demonstrativos passaram a registrar resultados negativos. Naquele exercício, o déficit foi de aproximadamente R$ 836 mil. Em 2020, o resultado negativo aumentou para cerca de R$ 1,59 milhão, praticamente dobrando em relação ao ano anterior.
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O maior déficit de toda a série analisada foi registrado em 2021. Os documentos oficiais apontam prejuízo aproximado de R$ 4,49 milhões, valor cerca de 182% superior ao resultado negativo contabilizado em 2020.
Em 2022, os demonstrativos registraram superávit de aproximadamente R$ 1,7 milhão. No entanto, o próprio balanço evidencia que esse resultado foi alcançado após o recebimento de R$ 5,36 milhões em transferências correntes de outras instituições do Sistema Confea/Crea. Sem esse aporte extraordinário, o exercício teria sido encerrado com déficit superior a R$ 3,66 milhões.
No último ano da gestão, em 2023, o Conselho voltou a receber recursos externos, desta vez no valor de R$ 2,62 milhões. Mesmo com esse reforço financeiro, o exercício foi encerrado com déficit aproximado de R$ 3,28 milhões. De acordo com os demonstrativos, sem as transferências extraordinárias, o resultado negativo ultrapassaria R$ 5,9 milhões.
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Além dos resultados orçamentários, os balanços patrimoniais mostram redução expressiva do ativo financeiro da autarquia, formado pelos recursos disponíveis em caixa e aplicações financeiras. O montante passou de R$ 10,47 milhões em dezembro de 2017 para R$ 3,45 milhões ao final de 2023, o que representa uma queda de aproximadamente 67%.
Enquanto os recursos disponíveis diminuíram ao longo do período, as obrigações financeiras seguiram em sentido oposto. O passivo financeiro aumentou de R$ 1,71 milhão para R$ 2,23 milhões entre dezembro de 2017 e dezembro de 2023, registrando crescimento de aproximadamente 30,5%.
Os documentos apontam que o período de maior deterioração financeira ocorreu entre 2020 e 2021. Nesse intervalo, a reserva financeira caiu de R$ 7,07 milhões para R$ 2,64 milhões, enquanto o passivo financeiro aumentou de R$ 1,35 milhão para R$ 3,53 milhões, alta de 161,5%. Ao final de dezembro de 2023, o Crea-AM apresentava a menor reserva financeira de toda a série histórica analisada, cenário marcado pela redução do patrimônio financeiro disponível, crescimento das obrigações e repetição de déficits orçamentários ao longo da gestão.
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