Elefante branco deixado por Omar Aziz, Arena da Amazônia continua drenando milhões dos cofres públicos 12 anos após a inauguração
Levantamento aponta que o estádio construído para o Mundial de 2014 continua gerando alto custo de manutenção aos cofres públicos 12 anos após o evento.
- Foto: AM POST
Resumo
- Gestão Omar Aziz: A Arena da Amazônia foi construída e inaugurada durante o governo de Omar Aziz para a Copa de 2014.
- Custo anual: Segundo levantamento, o estádio consome cerca de R$ 15 milhões por ano apenas em manutenção.
- Ranking nacional: A Arena está entre os 12 estádios da Copa que ainda geram prejuízo aos cofres públicos.
- Legado em debate: Doze anos após o Mundial, os altos custos reacendem as discussões sobre o retorno do investimento público.
Notícias de Manaus – A Arena da Amazônia, obra construída e inaugurada durante a gestão do então governador e atual senador Omar Aziz (PSD), voltou ao centro do debate sobre os gastos públicos após um levantamento divulgado pelo site Gazeta do Povo apontar o estádio entre os 12 equipamentos esportivos erguidos para a Copa do Mundo de 2014 que continuam gerando prejuízos milionários aos cofres públicos. Segundo o estudo, o estádio custa aproximadamente R$ 15 milhões por ano apenas com despesas de manutenção.
Doze anos após o Mundial, o levantamento conclui que o legado prometido para parte das arenas brasileiras não se concretizou como previsto, mantendo elevados custos de conservação financiados com recursos públicos.
Qual a relação da Arena com Omar Aziz?
A Arena da Amazônia foi uma das principais obras executadas durante o governo de Omar Aziz, quando Manaus foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.
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As obras começaram em 2010 e foram concluídas em março de 2014, ainda durante sua administração. Poucas semanas depois da inauguração, Omar deixou o governo para disputar uma vaga no Senado, sendo sucedido por José Melo, que comandou o Estado durante a realização dos jogos da Copa.
Quanto custa manter o estádio?
Segundo o levantamento divulgado pela Gazeta do Povo, a Arena da Amazônia demanda cerca de:
- R$ 15 milhões por ano em manutenção;
- despesas permanentes de conservação da estrutura;
- custos operacionais para manter o estádio em funcionamento.
Os dados reforçam que arenas desse porte exigem calendário constante de grandes eventos para reduzir a dependência de recursos públicos.
Desde a Copa, o estádio passou a receber partidas de futebol, shows, eventos religiosos, formaturas e atividades institucionais. Apesar disso, o alto custo de manutenção continua sendo alvo de críticas e de debates sobre o retorno do investimento realizado.
Acusação de esquema de corrupção e sobrepreço
Além do alto custo de manutenção, a Arena da Amazônia carrega um histórico de investigações sobre sua construção. O empreendimento, iniciado durante o governo de Omar Aziz para a Copa do Mundo de 2014, foi alvo de apurações de órgãos de controle e do Ministério Público por suspeitas de sobrepreço, superfaturamento e irregularidades em aditivos contratuais. Em 2022, o Ministério Público do Amazonas ajuizou ação pedindo o ressarcimento de R$ 82,1 milhões aos cofres públicos, alegando que parte dos aditivos firmados durante a execução da obra era desnecessária e causou prejuízo ao Estado.
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A Arena da Amazônia também foi citada nas investigações da Operação Lava Jato. Delatores da Andrade Gutierrez afirmaram que a obra teria sido utilizada para o pagamento de propinas a agentes públicos e apontaram suposto superfaturamento no empreendimento. As alegações integraram as investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
Doze anos após a inauguração, o estádio continua sendo alvo de debates sobre o custo-benefício para os cofres públicos.
O que aponta o levantamento?
A Gazeta do Povo afirma que diversos estádios construídos para a Copa de 2014 continuam exigindo elevados aportes financeiros dos governos estaduais.
Segundo o estudo, as promessas de um legado esportivo permanente não se concretizaram em boa parte das sedes, mantendo despesas milionárias mesmo mais de uma década após o encerramento do torneio.
“Enquanto acompanham a Copa do Mundo de 2026, contribuintes de diversos estados brasileiros ainda pagam pela construção e reforma dos estádios usados no Mundial de 2014. Em alguns casos, as arenas ainda geram gastos públicos milionários para manutenção todos os meses, sem retorno do valor investido“, destaca reportagem.
Contexto
A Arena da Amazônia segue sendo um dos maiores patrimônios públicos do Estado e continua recebendo eventos esportivos e culturais. Entretanto, o levantamento reacende o debate sobre o custo-benefício da obra inaugurada na gestão Omar Aziz e sobre o impacto permanente da manutenção do estádio nas contas públicas do Amazonas.
A expressão elefante branco refere-se a algo grandioso, caro ou valioso, mas que se torna inútil, ultrapassado ou gera grandes despesas de manutenção.
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