Brasil chama investigação dos EUA de “arbitrária” e contesta tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros
Em carta ao governo norte-americano, Itamaraty afirma que proposta baseada em alegações de trabalho forçado viola regras da OMC.
- Foto: Mateus Oliveira/MRE
Resumo
- O que aconteceu: O Itamaraty contestou formalmente uma proposta dos Estados Unidos para aplicar tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
- Argumento do Brasil: O governo classificou a investigação do USTR como “arbitrária”, “incompleta” e baseada em conclusões “equivocadas”.
- Trabalho forçado: Brasília afirma que os EUA ignoraram provas sobre mecanismos brasileiros de combate à exploração laboral.
- Próximos passos: O Brasil pediu a retirada da proposta durante a fase de consultas públicas da investigação norte-americana.
Notícias do Brasil – O governo brasileiro elevou o tom contra os Estados Unidos e enviou uma nova carta ao Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, para contestar a proposta de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rejeita as conclusões de uma investigação norte-americana baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o Itamaraty, a medida parte de uma análise insuficiente sobre o combate ao trabalho forçado no Brasil.
“O Brasil rejeita respeitosamente as conclusões e a determinação do USTR em relação ao país”, afirma a carta.
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O que os Estados Unidos alegam contra produtos brasileiros
A investigação conduzida pelo USTR envolve mais de 60 países e discute a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na avaliação norte-americana, os países investigados não adotariam mecanismos suficientes para impedir que mercadorias produzidas sob exploração laboral cheguem ao comércio internacional.
Caso seja adotada, a tarifa de 12,5% será a segunda medida proposta contra produtos brasileiros no âmbito da Seção 301.
Paralelamente, o governo dos Estados Unidos avalia outra tarifa de 25%, sob a alegação de que políticas brasileiras restringem ou encarecem o comércio bilateral.
Por que o Itamaraty diz que a investigação é “arbitrária”
Na carta enviada ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o Itamaraty afirma que apresentou documentos sobre a estrutura brasileira de fiscalização criminal e administrativa, obrigações internacionais e mecanismos de controle de cadeias produtivas. Ainda assim, segundo o governo brasileiro, o USTR não teria analisado adequadamente as informações enviadas pelo país.
“O Relatório da Seção 301 sobre Trabalho Forçado e a Notificação de Conclusões não abordam de maneira significativa — muito menos refutam — as provas apresentadas pelo Brasil”, diz o texto.
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Para Brasília, o relatório também não aponta casos concretos de produtos brasileiros fabricados com trabalho forçado que tenham entrado no mercado norte-americano.
Por que o Brasil afirma que a tarifa viola regras da OMC
O governo brasileiro argumenta que disputas comerciais devem ser resolvidas pelos mecanismos da Organização Mundial do Comércio, a OMC, e não por tarifas impostas unilateralmente. Segundo o Itamaraty, o uso da Seção 301 para aplicar sobretaxas é incompatível com o sistema multilateral de comércio.
A carta sustenta que a medida não aumenta a fiscalização, não estimula empresas a aprimorar controles e não enfrenta diretamente eventuais casos de exploração laboral.
Na avaliação brasileira, a tarifa pode elevar custos para consumidores e empresas norte-americanas, alterar fluxos de comércio e reduzir a cooperação entre os dois países.
O que o Brasil pediu ao governo dos Estados Unidos
Ao final da manifestação, o Itamaraty pediu que o USTR reveja suas conclusões, retire as alegações consideradas infundadas contra o Brasil e abandone a proposta de tarifa adicional de 12,5%. O governo brasileiro também argumenta que, mesmo se os Estados Unidos mantiverem a investigação, o Brasil não deveria receber tratamento igual ao de países com estruturas menos desenvolvidas de combate ao trabalho forçado.
A carta será analisada durante a fase de consultas públicas antes da decisão final do governo norte-americano sobre a adoção das medidas.
Como as tarifas dos EUA podem afetar o Amazonas
Para o Amazonas, uma eventual ampliação de tarifas comerciais pode ter reflexos sobre exportações e sobre cadeias produtivas ligadas à Zona Franca de Manaus. O impacto dependerá dos produtos atingidos, das alíquotas efetivamente aprovadas e da capacidade de empresas brasileiras redirecionarem vendas ou absorverem custos adicionais.
Na prática, tarifas elevadas podem pressionar contratos, margens de lucro e decisões de investimento. Para trabalhadores e fornecedores da indústria, o ponto central será acompanhar se a medida alcançará produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus ou insumos relevantes para a cadeia local.
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