‘Roubo aos amazonenses’: Ream é cobrada a explicar por que não reduziu preço da gasolina após queda do petróleo
Levantamento sustenta que os reajustes foram repassados rapidamente durante a alta do petróleo, mas não acompanharam a queda do mercado internacional após o fim do conflito.
- Foto: Divulgação
Resumo
- Denúncia: Levantamento questiona a manutenção dos preços da gasolina após a queda do barril de petróleo.
- Investigação: Órgãos de fiscalização foram acionados para apurar possível prática abusiva.
- Questionamento: Refinaria recebeu ofício cobrando explicações sobre os critérios de formação dos preços.
- Impacto: A Ream abastece distribuidoras que fornecem combustíveis para Manaus e municípios do Amazonas.
Notícias de Manaus – Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (9) mostra como a rede Atem está roubando os amazonenses que dependem direta ou indiretamente dos preços dos combustíveis. Os dados são do vereador Rodrigo Guedes e questionam a política de preços praticada pela Refinaria da Amazônia (Ream), administrada pelo Grupo Atem, e sustenta que os reajustes aplicados durante a alta do petróleo internacional não foram revertidos após a queda das cotações.
Segundo o levantamento, a refinaria elevou os preços poucos dias após o início da escalada da guerra entre Estados Unidos e o Irã que impactou o mercado de petróleo devido o Irã exerce controle sobre o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. No entanto, mesmo com a posterior redução do valor do barril, os preços cobrados às distribuidoras permaneceram elevados.
Como funciona o monopólio da gasolina no Amazonas?
O mercado de combustíveis no estado funciona em uma cadeia onde a refinaria vende para as distribuidoras, que repassam aos postos até chegar ao consumidor final. Em Manaus, esse cenário é controlado pelo Grupo Atem, que comprou a antiga Refinaria Isaac Sabbá (hoje Ream) da Petrobras em 2022 por R$ 1,3 bilhão.
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Essa cadeia verticalizada — onde o mesmo conglomerado é dono da única refinaria da região e de uma grande rede de postos — elimina a concorrência. Como resultado, o grupo detém o controle absoluto sobre as margens de lucro e o valor final cobrado nas bombas dos cidadãos amazonenses.
Por que a Ream recebe incentivos fiscais sem refinar o petróleo local?
A Refinaria de Manaus foi aprovada para receber os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) com a promessa de investimentos na casa dos R$ 3,18 bilhões para produzir combustíveis mais baratos. Por lei, a contrapartida exige que os processos de filtração, destilação e craqueamento ocorram localmente.
No entanto, a Ream parou de refinar o petróleo extraído em Urucu (Coari) e passou a importar o produto de países como Peru, México, Estados Unidos e nações árabes. Enquanto o petróleo do Amazonas é transportado para fora do estado, a refinaria goza de isenções fiscais bilionárias sem realizar a produção interna acordada.
Qual foi o impacto da guerra internacional no preço do combustível em Manaus?
Com base nas planilhas do próprio site da Ream, um levantamento divulgado pelo vereador Rodrigo Guedes nesta quinta-feira (9) detalha a velocidade dos reajustes. Apenas três dias após o início do conflito envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro de 2026, a refinaria aplicou o primeiro aumento para as distribuidoras.
A empresa utilizou a alta do barril de petróleo importado, que saltou da casa dos 70 dólares para quase 130 dólares, para aplicar reajustes sucessivos. A crítica principal reside na rapidez em penalizar o consumidor local diante de crises externas.
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Por que a gasolina continua cara se o preço do barril de petróleo já caiu?
O conflito internacional encerrou-se oficialmente em 14 de junho de 2026, e o preço do barril despencou de volta para a casa dos 75 dólares. Mesmo quase um mês após o fim da guerra e com a matéria-prima barata, a refinaria mantém o preço cobrado das distribuidoras R$ 1,60 mais caro por litro.
Considerando que o Amazonas consome cerca de 150 milhões de litros de combustível por mês, esse valor retido artificialmente representa uma retirada forçada de R$ 240 milhões mensais do bolso dos amazonenses para os cofres do grupo empresarial.
O que dizem as autoridades e quais perguntas a Ream terá que responder?
Os órgãos de fiscalização do Amazonas foram oficialmente acionados para investigar a conduta da distribuidora e da refinaria.
Um ofício de cobrança já foi enviado à Ream exigindo esclarecimentos objetivos. O documento questiona formalmente os seguintes pontos:
Critérios de reajuste: Quais são os parâmetros técnicos e econômicos para a definição dos preços.
Falta de reciprocidade: O motivo de os aumentos serem imediatos, enquanto as reduções internacionais são ignoradas.
Previsão de queda: Se existe um cronograma para revisar as tarifas atuais após a queda do barril de petróleo.
Composição do preço: Quais fatores além do petróleo (como tributos e margens de lucro) compõem o valor finalizado para o consumidor.
Qual o impacto para os consumidores do Amazonas?
A discussão é considerada relevante porque a Ream abastece distribuidoras responsáveis pelo fornecimento de combustíveis para o Amazonas.
Caso sejam identificadas irregularidades, caberá aos órgãos competentes avaliar a adoção das medidas administrativas ou judiciais previstas na legislação. Até o momento, não há decisão de autoridade pública concluindo que a refinaria tenha praticado qualquer irregularidade.
A reportagem será atualizada caso a Refinaria da Amazônia (Ream) ou o Grupo Atem apresentem posicionamento sobre os questionamentos formulados no ofício ou sobre as denúncias encaminhadas aos órgãos de fiscalização.
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