Gás tóxico que vazou em Manaus já matou 12 pessoas em incidente na Índia
Substância liberada em petroquímica no Distrito Industrial é a mesma envolvida no acidente de Visakhapatnam, em 2020.

Notícias do Mundo – O estireno liberado durante a ocorrência registrada na quarta-feira (15), em uma petroquímica do Distrito Industrial de Manaus, é a mesma substância envolvida no acidente industrial que atingiu a cidade de Visakhapatnam, na Índia, em maio de 2020.
Na ocasião, um vazamento na fábrica da LG Polymers provocou uma das maiores emergências químicas dos últimos anos, deixando 12 pessoas mortas, mais de mil hospitalizadas e milhares de moradores expostos ao produto.
Apesar da semelhança da substância, as autoridades destacam que os dois episódios ocorreram em contextos diferentes e seguem sendo analisados individualmente.
O que aconteceu na Índia?
Em Visakhapatnam, o estireno se espalhou por aproximadamente cinco quilômetros após um vazamento industrial.
Moradores relataram sintomas como:
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- Náusea;
- Tontura;
- Desmaios;
- Irritação nos olhos;
- Dificuldade para respirar.
O governo indiano decretou medidas emergenciais, incluindo evacuação de bairros próximos e mobilização de equipes médicas e de defesa civil.
Especialistas atribuíram os efeitos à ação do estireno sobre o sistema respiratório e o sistema nervoso central.
O que é o estireno?
O estireno é um composto químico utilizado na fabricação de diversos produtos industriais, como:
- Embalagens plásticas;
- Isopor;
- Resinas;
- Eletrodomésticos;
- Peças automotivas;
- Materiais de construção.
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), o estireno é classificado como possivelmente cancerígeno para humanos, classificação relacionada principalmente à exposição ocupacional prolongada.
Quais sintomas a exposição pode causar?
De acordo com especialistas em toxicologia, a inalação dos vapores pode provocar diferentes sintomas, dependendo da concentração e do tempo de exposição.
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Entre os principais estão:
- Irritação nos olhos;
- Ardor no nariz e na garganta;
- Tosse;
- Dor de cabeça;
- Tontura;
- Náusea;
- Sonolência;
- Confusão mental.
Em exposições intensas, podem ocorrer:
- Convulsões;
- Arritmias cardíacas;
- Insuficiência respiratória;
- Perda de consciência;
- Coma.
Não existe antídoto específico para intoxicação por estireno. O tratamento consiste na retirada da vítima da área contaminada, suporte clínico, oxigenoterapia e monitoramento médico.
Como ocorreu o vazamento em Manaus?
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o incidente foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15).
A corporação informou que houve uma elevação anormal da temperatura em um dos tanques de armazenamento de estireno da Unidade IV da petroquímica Innova.
Como medida de segurança, as válvulas do tanque foram acionadas automaticamente para aliviar a pressão interna, liberando vapores e evitando uma situação mais grave.
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O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, informou posteriormente que o vazamento foi totalmente controlado e que as equipes permaneceram no local realizando o resfriamento do tanque até a estabilização da temperatura.
O que diz a Innova?
Em nota, a petroquímica informou que a ocorrência envolveu apenas um dos três tanques de armazenamento de monômero de estireno da Unidade IV.
Segundo a empresa:
- Não houve incêndio;
- Não ocorreu vazamento do produto líquido;
- Não houve lançamento de efluentes para fora da área de contenção;
- Nenhum funcionário ficou ferido;
- Todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento ambiental.
A companhia também afirmou que não há risco de contaminação ambiental nem à saúde da população, além de informar que adotará medidas para evitar novos episódios.
Quantas pessoas procuraram atendimento médico?
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 16 pessoas deram entrada em unidades da rede estadual apresentando sintomas compatíveis com exposição ao estireno.
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Segundo a pasta, todos os pacientes chegaram em estado estável, receberam atendimento médico e permaneceram sob avaliação.
A SES orienta que qualquer pessoa que apresente:
- Irritação nos olhos ou na pele;
- Tontura;
- Dor de cabeça;
- Náusea;
- Sonolência;
- Confusão mental;
- Dificuldade para respirar;
- Perda de consciência;
deve procurar imediatamente uma unidade de saúde.
Como Manaus respondeu à ocorrência?
O incidente mobilizou uma força-tarefa composta por:
- Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas;
- Defesa Civil;
- Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM);
- Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP);
- Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM);
- Prefeitura de Manaus.
Como medida preventiva, empresas da região evacuaram funcionários, escolas suspenderam as aulas e a Prefeitura instalou um gabinete de crise para acompanhar a evolução da ocorrência.
Contexto regional
Embora o estireno seja amplamente utilizado pela indústria petroquímica, ocorrências envolvendo sua liberação exigem protocolos rigorosos de resposta devido ao potencial de intoxicação por inalação. Diferentemente do acidente registrado na Índia em 2020, as autoridades amazonenses afirmam que o sistema de segurança da unidade industrial funcionou, o vazamento foi controlado e não houve registro de mortes relacionadas ao incidente. A investigação sobre as causas da reação química continua, enquanto órgãos ambientais e de saúde seguem monitorando a situação.
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